Brasília (DF)

O ministro da fazenda, Guido Mantega, negou ontem que o governo adotará medidas para restringir o crédito. Segundo ele, a intenção é apenas assegurar o crescimento estruturado da economia por meio do estímulo aos investimentos. “Vou conversar com representantes de vários setores para saber se há condição de ampliar a oferta e atender o crescimento da demanda nos próximos anos”, revela.

Entre os setores com os quais Mantega pretende conversar, estão a indústria automobilística, a siderurgia e a indústria do cimento. Amanhã, irá reunir-se com representantes de instituições financeiras para avaliar a expansão do crédito no país.

“Se o setor financeiro disse que segura a alavancagem (crescimento da demanda), estarei mais seguro. A preocupação não é com o presente, mas com o futuro”, afirmou.
Na semana passada, Mantega teria dito que empréstimos de 80 ou 90 prestações para aquisição de veículos seriam muito longos. A restrição ao crédito, ou seja, a determinação de fixar número de parcelas seria uma forma do governo conter a inflação.

Inflação
A indústria faz a sua parte para evitar que um desequilíbrio entre a produção e a demanda por consumo no país possa ocasionar um aumento inflacionário. A declaração é do gerente do Departamento de Economia da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), André Rebelo.

Segundo ele, os investimentos do setor na ampliação da oferta estão em um patamar inédito nos últimos 20 anos.
Para ele, a preocupação com a volta da inflação não é real. “Ainda não estouramos meta de inflação e a capacidade produtiva está se expandindo”, diz Rebelo.