Trocas de chutes e socos voltaram a marcar a caravana de Luiz Inácio Lula da Silva pelo interior do Rio Grande do Sul. Na tarde desta terça-feira (20), enquanto o ex-presidente reunia-se com diretores da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), manifestantes contrários e favoráveis ao PT entraram em confronto generalizado no campus da instituição.

De ônibus, Lula percorreu 230 quilômetros, entre Santana do Livramento e Santa Maria, sob escolta do Comando Rodoviário da Brigada Militar (CRBM). A caravana chegou pouco antes das 14h30min à UFSM, onde foi recebida por universitários aos gritos de “Lula, guerreiro do povo brasileiro”.

Fora do campus, um grupo de verde-amarelo segurava faixas e entoava “Lula, ladrão, seu lugar é na prisão”. Sem qualquer bloqueio da polícia, esses manifestantes começaram a caminhar em direção aos outros. Quando os dois lados se encontraram, os xingamentos avançaram para empurra-empurra e agressões.

Os próprios manifestantes, dos dois grupos, trataram de separar os conflitos. Porém, durante as duas horas em que Lula permaneceu na universidade, a animosidade persistiu.

Em um dos momentos mais tensos, os grupos enfrentaram-se, frente a frente, em uma espécie de paredão. Com os braços entrelaçados, impediam o avanço dos demais.

Diante do confronto, o Batalhão de Operações Especiais (BOE) intercedeu. Homens a cavalo dispersaram os grupos, sem o uso de armas de efeito moral. Os xingamentos, entretanto, seguiram.

— É impossível antecipar todos os movimentos de grupos antagônicos. Procuramos minimizar o possível, mas a polícia não pode ser responsabilizada por tudo — disse o tenente-coronel Erivelto Rodrigues, comandante do policiamento em Santa Maria.

Lula deixou a universidade  ao lado da ex-presidente Dilma Rousseff e do ex-governador do Rio Grande do Sul Olívio Dutra. Ele deixou o campus sem discursar para os apoiadores.

No mesmo dia ele participou de outro encontro em Santa Marta. Lula falou ao público porque as elites não admitem ver o PT governando o país.

“Eles não querem que a gente volte porque, durante os 12 anos de governo do PT, quando a Dilma ganhou as eleições em outubro de 2014, o Brasil tinha o menor nível de desemprego do mundo e da historia do Brasil. Era 4,2% de desemprego”, relembrou o ex-presidente.

˜Eles não querem que nós voltemos porque, durante 12 anos, o salário mínimo aumentou nesse país, conforme o PIB e a inflação. Não querem que a gente volte porque durante 12 anos todas as categorias organizadas de trabalhadores receberam aumento real de salário.”

— A caravana tem sido ameaçada e agredida por milícias armadas de extrema-direita. Não são manifestações políticas divergentes, mas de violência e enfrentamento que querem cercear o direito de ir e vir de dois ex-presidentes da República. Estamos oficiando as autoridades porque tememos pelo clima que está sendo criado — disse Gleisi.

Depois, o coordenador da caravana de Lula, Márcio Macedo, disse que o cronograma das passagens do ex-presidente pelos Estados do sul do Brasil está mantido.