A visita da ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, a São Carlos (SP), na manhã deste sábado (18), foi marcada por confusão entre manifestantes contra e a favor do governo federal. Um casal e outros manifestantes que estavam em frente à prefeitura com cartazes foram agredidos com empurrões, murros e chutes. Um homem ficou ferido no rosto.

No grupo pró-governo estava o vereador Leandro Guerreiro (PSB) que impediu os manifestantes de chegarem à prefeitura e distribuiu uma cartela de ovos que foram jogados contra as pessoas que protestavam (veja vídeo acima).

Outros integrantes do grupo agrediram um homem com chutes e empurrões. Também rasgaram os cartazes nos quas estavam escritos frases como “Jesus é socialista” e “Você não gosta de mim, mas sua filha gosta” e tomaram bandeiras dos manifestantes. Em outro momento, um homem jogou o celular de uma mulher que estava filmando a ação no chão.

“A gente veio fazer um protesto pacífico, divertido, com uma roupa colorida, animada, com peruca, com frases pacíficas, mas, aparentemente, isso já é agressivo, isso já ofende. A gente tem o direito de fazer a nossa manifestação pacífica”, afirmou a educadora ambiental Evelyn Araripe.

Procurado pelo G1, o vereador Leandro Guerreiro afirmou que não participou da agressão física, mas admitiu que levou os ovos para a frente da prefeitura.

“É o que eles mesmo fazem. Jogam bomba, jogam pedras nas manifestações. Eles vão lá com cartaz contra Jesus, com bandeira ideológica, com bandeira LGBT e depois vem falar que não tem partido, ficam provocando”, afirmou.

Ele disse que soube da manifestação por postagens do Facebook e que grupo não tinha direito de estar no local.

“A gente tá com essa turma engasgada, eles acham que podem fazer o que querem, baderna, e se escondem na liberdade de expressão. Isso não é liberdade de expressão, a constituição não permite ofuscar um evento oficial”, afirmou.

O G1 tentou falar com outros integrantes do grupo que impediu a manifestação, mas ninguém quis dar entrevista.

A Polícia Militar e a Guarda Civil Municipal estavam no local, mas não interferiram na confusão.

A Polícia Militar informou que não estava acompanhando a manifestação e que os policiais tinham a responsabilidade de garantir a segurança do trajeto da ministra pela cidade.

A Guarda Civil Municipal também foi procurada e informou que o registro da ocorrência foi feito pela Polícia Militar.

A ministra Damares se reuniu com o prefeito de São Carlos (SP), Airton Garcia (PSB), na prefeitura e propôs a união dos servidores federais que são de São Carlos e estão no alto escalão de governo federal para buscar verbas para o problema das enchentes na cidade.

Comércio de São Carlos faz ‘black enchente’ para conter prejuízo

No último domingo (12), a região central da cidade foi afetada por alagamentos. A água invadiu 120 lojas, várias casas e danificou calçamento e viadutos. Na quarta-feira (15), o prefeito Airton Garcia se reuniu com o ministro do Desenvolvimento Regional e pediu R$ 27 milhões de verba emergencial para reparar os danos causados pela chuva.

Durante a reunião em São Carlos, Damares ofereceu para organizar um grupo para cobrar respostas rápidas e agilizar a liberação de verbas federais.

“Nós temos um time em Brasília de são-carlenses que estão no alto escalão do governo e estão se unindo para buscar tudo o que está lá em Brasília e ainda não foi liberado. Tem muito recurso que está parado lá e é de São Carlos”, afirmou.