Selmair Arruda de Moraes, mãe de Atyla Arruda Barbosa, 20 anos, morta pelos patrões em uma praia de Mongaguá (SP), em julho, disse que a filha foi estuprada e que nunca fez sexo consentido. A mãe garante que a filha foi mantida em cárcere privado e, antes de morrer, foi abusada sexualmente.

A jovem morava com uma mulher de 41 anos e um homem de 47 anos, que se diziam “padrinhos” dela. O homem é acusado de ter engravidado Atyla e ter matado ela para ficar com o seguro de vida, avaliado em R$ 260 mil, onde a beneficiária seria a “madrinha” 

Em depoimento, o suposto padrinho confessou ter relações sexuais com Atyla e que sua esposa sabia. A intenção deles era ter um filho, a mulher não podia engravidar, então fizeram um acordo com a jovem. 

Mas as investigações apontam que o casal explorava Atyla e eles tinham relações de patrão e empregado. A jovem era apresentada como afilhada dos suspeitos desde janeiro deste ano, quando começaram a cuidar dela.

Mudança de endereço

Atyla saiu de Aparecida de Goiânia, em Goiás, para buscar novas oportunidades. Encontrou uma vaga, oferecida pelo casal, em uma transportadora. Os dois disponibilizam um lugar para ela morar. Desde o princípio, a mãe da jovem não aceitou a mudança. “Ela ficou muito depressiva e triste depois que a gente perdeu tudo, financeiramente falando. Ela falava: ‘mamãe, eu vou, sim, porque quero ajudar a senhora'”, lembra Selmair. 

Enquanto esteve na casa dos suspeitos, Atyla mantinha contato com a filha por meio das redes sociais e ligações. Em uma das chamadas, ouviu alguém induzindo a jovem a falar “algo genérico”. “Não era minha filha ali. Ela estava sendo controlada”, conta, acrescentando que ficou preocupada no dia 2 de julho, um dia antes da morte, quando não conseguiu mais se comunicar com a vítima.

Investigação
“Fui à delegacia, dei o nome do casal e puxaram vários papéis. Quando falei da minha filha, surgiu uma foto na tela do delegado. Quinze minutos depois, disseram-me que ela estava morta”, relata. Apesar de constar que os suspeitos eram padrinhos de Atyla, a mãe disse ao delegado que não os conhecia. Na sexta-feira (17), a Justiça acatou a prisão temporária do casal, que ficará na Cadeia Pública por 30 dias.

Após a chegada de Selmair na unidade policial, a corporação iniciou uma investigação para apurar a morte de Atyla. “A polícia achou, na casa deles, pelo menos três documentos em nome da mulher atestando o recebimento de apólices de seguro em nome de terceiros, além da que tinha em nome da minha filha, avaliada em R$ 260 mil”, detalha.

A polícia não descarta a hipótese de o patrão ter provocado o afogamento da vítima. “Tudo indica que a minha filha era violentada sexualmente por ele. Ela era mantida em cárcere privado. Foi comprovado que nenhum vizinho próximo a via na rua. A gravidez é certeza, sim, e vão fazer exame de DNA pra ver se era mesmo dele, mas a polícia me disse que ele mesmo já se entregou”, explica.

Lembranças
“A Atyla era minha amiga, companheira. Sempre estudou, sonhou. Nunca deu trabalho. Que isso sirva de alerta aos pais para zelarem pelos filhos. O mundo está aí oferecendo tudo aquilo que não podemos dar. Prometeram uma vida melhor para minha filha e não cumpriram. Jamais a terei de volta”, desabafou a mãe.