As maçãs são parecidas com a do tipo gala
As maçãs são parecidas com a do tipo gala

Karen Novochadlo
Braço do Norte

 
Quem imaginava que apenas o frio da serra possibilitasse o cultivo de saborosas maçãs terá que rever os seus conceitos. Uma pesquisa realizada pelo curso de agronomia da Unisul, com convênios da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) e Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), possibilita a cultura da maçã em Braço do Norte. 
 
A pesquisa ainda levará dois anos para ser concluída. Os pesquisadores começaram os trabalhos há cinco anos. Eles testaram várias mudas fornecidas pelas entidades para definir qual se adapta melhor ao clima. Chegaram as variedades Eva e Princesa. A Eva é polinizada pela Princesa e gera uma maçã semelhante à Gala. 
 
“Já temos produtores interessados nesta variedade. Mas ainda não encerramos os trabalhos. Precisamos avaliar os tipos de doenças e pragas que atacam a plantação e os melhores insumos agrícolas”, explica o pesquisador na área de fruticultura e coordenador do curso de agronomia, Celso Albuquerque. 
 
O pró-reitor de inovação da Unisul, Valter Schmitz, assustou-se com a iniciativa em um primeiro momento, mas apoiou completamente a pesquisa. Valter lembra que, além dos investimentos nas maçãs, também há projetos para cultivo de espécies de uvas europeias para vinhos e fitoterápicos. “Com estes projetos, vamos alterar a realidade da geração de emprego e renda para esta região geográfica da Amurel”, complementar Valter. 
 
Maçãs mais rentáveis
Apesar do clima, da altitude e da umidade do ar serem diferentes em Braço do Norte, uma equipe da Unisul cultiva maçãs no município. Uma área de quatro mil metros quadrados foi designada para o projeto.
As maçãs no município serão colhidas neste mês. Na serra, somente em fevereiro. Isto significa disponibilizar no mercado uma fruta fresquinha mais cedo que a do concorrente. E a lucratividade é maior. O preço da venda do produto na serra é de R$ 0,65 o quilo, visto que há uma maior quantidade de produto disponível no mercado. Calcula-se que em Braço do Norte o valor chegue a R$ 1,50. Isto significa mais lucratividade. 
 
Sul do estado destaca-se na produção de frutas
A produção de frutas no Brasil, entre 2001 e 2009, registrou um aumento de 19%, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Santa Catarina destaca-se neste cenário, como um dos grandes produtores, principalmente de maçã. 
 
No sul do estado, os cultivos de pêssego, nectarina e ameixa aos poucos ganham espaço. Na safra 2009/2010, Pedras Grandes, Urussanga, Treze de Maio e Cocal do Sul produziram juntos aproximadamente 305 toneladas destas frutas. A próxima safra pode chegar a 400 toneladas.
 
O sucesso na produção deve-se a uma associação de produtores, cujo objetivo é entrar no mercado nacional. Toda a produção possui a Certificação Fitossanitária, a mesma que os municípios serranos possuem para a produção de maçã. Isto significa que o cultivo está livre da praga Cydia pomonella. 
 
Para receber a certificação, o trabalho desenvolvido no campo produtivo deve ser  supervisionado por profissional habilitado, no caso um engenheiro agrônomo.  Ele faz as anotações de todas as ações do produtor desenvolvidas no campo de produção, como identificação das espécies e variedades plantadas, dados de tratamentos fitossanitários, monitoramento de pragas (insetos e/ou doenças), manejo, e até dados sobre a colheita. O trabalho do profissional é fiscalizado por técnicos da Defesa Sanitária Vegetal da Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc).
 
Palestra sobre transgênicos na Unisul
Os alimentos transgênicos voltaram à mesa de discussão depois que a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) revelou ter produzido um tipo de muda de feijão modificado geneticamente. A primeira no mundo. Hoje, um dos maiores especialistas da área no Brasil, Rubens Nodari, fará uma palestra na Unisul de Tubarão, às 14 horas, no auditório do Cettal. 
 
O evento é promovido pelo curso de agronomia da universidade, através da disciplina de extensão rural. E é gratuito. O especialista falará sobre os prós e contras dos alimentos transgênicos, e os impactos que trarão à sociedade. 
 
Rubens é formado em agronomia pela Universidade de Passo Fundo, com mestrado na mesma área pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e doutor pela University Of California at Davis. Hoje, ele é professor da Universidade Federal de Santa Catarina (Ufsc). Entre 2003 e 2008, ocupou o cargo de gerente de recursos genéticos vegetais do Ministério do Meio Ambiente.