Laguna

A memória das comunidades que formam o Distrito de Ribeirão Pequeno, em Laguna, corria o risco de ficar perdida para sempre, não fosse um trabalho inédito desenvolvido por 106 alunos da escola municipal Gregório Manoel de Bem.

Empenhados em resgatar a sua própria história, eles entrevistaram 82 pessoas das comunidades para escrever o livro Memória de um patrimônio irrenunciável: comunidades do Distrito do Ribeirão Pequeno da Laguna. A cada linha captada com as pessoas que construíram a pequena região, o livro começava a ganhar forma. Depois, coube ao professor Laércio Vitorino de Jesus organizar tudo.

Agora, este trabalho será lançado, no sábado da próxima semana, às 15 horas, na escola. Um espetáculo diferente é produzido para dar ainda mais ênfase. Apresentação de dança folclórica e um café especial, baseado na culinária típica açoriana, está programado.

A ideia do livro começou por meio de um projeto escolar. Foram anos de pesquisa e aventuras em campo. Apesar da evolução dos tempos, a obra mostra que o distrito ainda conserva crenças e hábitos seculares. Um exemplo são as lavadeiras que quaram a roupa na grama e fabricam o sabão a partir de gordura animal.

Por meio de fotografias, os alunos também conseguiram fazer com que o leitor visualize a vida simples: as mulheres tecem tarrafas, a farinha de mandioca moída e torrada no moinho e a cachaça feita nos alambiques, o fogão à lenha, as procissões religiosas, cantorias de reis e a brincadeira pagã do boi de mamão. Tudo escrito dentro de um contexto histórico orientado pelo professor.