#PraCegoVer Na foto, alguns suínos
Santa Catarina é o maior produtor e exportador de carne suína do Brasil, com acesso aos mercados mais competitivos do mundo. O estado conta com oito mil suinocultores, sendo que 15% trabalham de forma independente - Foto: Julio Cavalheiro | Governo de Santa Catarina | Divulgação

O ‘barulho’ feito pelos suinocultores independentes de Santa Catarina deu resultado. Governo do Estado oficializa na manhã desta quinta-feira (28), na sede da Secretaria de Estado da Agricultura, da Pesca e do Desenvolvimento Rural, em Florianópolis, a criação de uma linha de crédito emergencial para auxiliar os produtores. O Projeto Especial de Subvenção de Juros em apoio à Suinocultura Catarinense contará com recursos do Governo do Estado e da Assembleia Legislativa e vai apoiar o setor, que enfrenta prejuízos devido ao aumento nos custos de produção.

“Não é a solução, mas também não é uma proposta ruim. Pelo contrário. Qualquer movimentação, qualquer ajuda do Estado é sempre bem-vinda. O cenário continua nebuloso, mas pelo menos agora os produtores tem uma via para seguir. Ao todo serão beneficiados em torno de 500 suinocultores, em todo o Estado, com esta subvenção. Como até agora não fomos sequer atendidos pelo Governo Federal, onde pleiteamos, entre outras coisas, a prorrogação de dívidas, receber este auxílio do governo catarinense é maravilhoso”, valoriza o membro da Regional Sul da Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS) e secretário de agricultura da Prefeitura de Braço do Norte, Adir Engel.

Com o projeto, os produtores poderão contratar financiamentos de até R$ 400 mil junto ao agente bancário para custeio pecuário e o Governo do Estado pagará os juros em um limite de 5% ao ano. A medida é válida para produtores não integrados e enquadráveis no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) ou no Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp). “Com apoio dos deputados estaduais, construímos um programa que atende a demanda dos suinocultores independentes e traz um fôlego para que milhares de famílias possam seguir na atividade”, destaca ressalta o secretário de estado da agricultura, Ricardo Miotto.

Ainda que os preços, tanto o pago aos produtores quanto o de custo da produção, tenha melhorado no comparativo com dezembro e o primeiro trimestre deste ano, o setor produtivo ainda amarga grandes prejuízos por conta do valor dos insumos, principalmente os grãos. Segundo a Associação Catarinense de Criadores de Suínos, os custos de produção chegam a R$ 8 o quilo de suíno, enquanto a comercialização gira em torno de R$ 5,80 – até o fim de março este valor não ultrapassava R$ 4,50. Santa Catarina é o maior produtor e exportador de carne suína do Brasil, com acesso aos mercados mais competitivos do mundo. O estado conta com oito mil suinocultores, sendo que 15% trabalham de forma independente, ou seja, não participam do sistema de integração com as agroindústrias.

Como o programa de subvenção vai funcionar
Para participar do projeto, os suinocultores deverão se inscrever na secretaria de agricultura das prefeituras de sua cidade. A priorização dos beneficiários será realizada com base na lista de inscrição e definida em conjunto pela secretaria municipal, Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural e Epagri. A formalização de participação no projeto deverá ser realizada nos escritórios da Epagri, que efetuará o pré-enquadramento do produtor, no qual deverá constar o valor pretendido de financiamento. Cada propriedade rural terá direito à subvenção de juros para um projeto, independentemente do número de unidades de produção instaladas.

Superoferta ainda é um problema
Além do preço dos insumos, a crise na suinocultura tomou proporções ainda maiores por conta da superoferta da carne. Empresas, cooperativas e produtores independentes investiram pesado no aumento de plantel por acreditarem que as exportações não diminuiriam. A China foi a aposta maior. Isso gerou uma grande oferta do produto no mercado interno e também externo. Mas o que era sonho se tornou pesadelo. O país asiático, um dos maiores consumidores do mundo de carne suína, diminuiu a compra desde outubro do ano passado. “Quando há excesso de oferta, a estabilidade só ocorre quando a oferta diminui. É a lei de mercado. Não há outro meio”, aponta Adir Engel. A saída mais viável para isso é aumentar o consumo. Mas aí os produtores enfrentam outro problema: o hábito do brasileiro.

“O mercado nacional prefere comprar meio quilo de carne bovina do que dois de carne suína pelo mesmo preço. A maioria das pessoas nem deve ter percebido que o suíno, hoje, no mercado, está, em alguns lugares, mais barato que o frango”, lamenta o associativista. E é verdade. O único que não sentiu esta diferença na balança comercial é o consumidor final brasileiro. O preço do quilo da carne suína nos supermercados não ultrapassa os R$ 13,00 nas grandes cidades. Por aqui, na região, o valor é ainda menor: entre R$ 6,00 a 9,00 o quilo.

Fonte: Governo de Santa Catarina, ACCS e Prefeitura de Braço do Norte
Edição: Zahyra Mattar | Notisul

Entre em nosso canal do Telegram e receba informações diárias, inclusive aos finais de semana. Acesse o link e fique por dentro: https://t.me/portalnotisul