Laticínios da região já começam a investir em tecnologia e qualificação da mão-de-obra para crescer mais.
Laticínios da região já começam a investir em tecnologia e qualificação da mão-de-obra para crescer mais.

Zahyra Mattar
Braço do Norte

Santa Catarina produziu 2,13 bilhões de litros de leite em 2008, um incremento de 14% sobre a produção do ano anterior. Os dados são do IBGE. A mesorregião do sul catarinense é a terceira maior em produção. É a responsável por 8,2% do estado. Pode parecer pouco, especialmente frente ao oeste, a grande bacia leiteira de Santa Catarina (responsável por 72,4% da produção – veja no quadro), mas não é.

A possibilidade de abertura do mercado exterior para o Brasil tem feito com que os produtores do Vale do Braço do Norte, a microrregião que mais produz o alimento no sul do estado, comecem a investir forte no setor.

“Nos três anos, a mudança na realidade do Vale foi enorme. Hoje, os produtores têm mais noção deste crescimento e procuram investir em qualidade, mão-de-obra e equipamentos. Até então, as propriedades eram voltadas mais para a cultura da subsistência”, avalia a veterinária da Aurea Alimentos, Aline Esmeraldino Felipe.

E os primeiros números desta nova ‘cara do leite’ na região já são palpáveis. O sul catarinense aumentou a produção em aproximadamente um ponto percentual em relação às outras bacias, e igualou a quantidade de litros coletados com a bacia do Vale do Itajaí, cuja produção corresponde a 9,6% do total do estado.

350 mil
litros de leite são recolhidos e processados por dia pela agroindústria da bacia leiteira do Vale do Braço do Norte.

11
pequenos laticínios atuam na região. Braço do Norte é o município líder na produção de leite.

50 mil
famílias catarinenses complementam a renda com a produção de leite.

Preço melhora para
o produtor e estabiliza
para os consumidores

Apesar da nova configuração proposta aos produtores do leite de todo o estado, no Vale do Braço do Norte, a microrregião que mais coleta o produtos em todo o sul catarinense, o leite ainda está associado a uma renda extra mensal às famílias rurais.

Este dinheirinho a mais evita, inclusive, o êxodo rural, porque as safras anuais – como o fumo e o arroz, por exemplo – não garantem o sustento. No fim do primeiro semestre, com o clima instável, a família rural na verdade contabilizava um empate entre prejuízo e lucro.

Cada litro de leite produzido às indústrias de laticínios da região rendia até R$ 0,60. Hoje, o valor está um pouco melhor: R$ 0,65. Este aumento, ainda que pequeno, é reflexo do clima, agora mais estável. Para o consumidor, o preço do litro do alimento também segue uma constante. Os valores praticados no fim do primeiro semestre não sofreram aumentos significativos.

E a boa notícia é que devem continuar congelados pelo menos até o fim deste ano. Em Tubarão, por exemplo, o valor mínimo do alimento nos supermercados é de R$ 1,44. O preço diz respeito a uma marca importada. Entre as nacionais, o menor valor encontrado é de R$ 1,66.

Preço da cesta básica sobe no estado

A carne e a farinha foram as vilão no preço da cesta básica no mês passado. Conforme o levantamento divulgado ontem pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), houve um aumento de 3,18% em relação a setembro.

Com isso, a cesta básica catarinense não sai por menos de R$ 230,85, o equivalente a quase metade (49,20%) do salário mínimo nacional de um trabalhador (R$ 510,00). A farinha teve reajuste de 7,69% e a carne de 8,05%.

O feijão foi o terceiro item com maior inflação (3,66%). Ainda que não seja um consolo, três itens tiveram uma redução considerável nos preços ao consumidor: a banana (-12,72%), a batata (-3,23%) e o café (-1,50%).