Brasília (DF)

Os primeiros 30 dias de vigência da ‘lei seca’ provocaram a redução do número de acidentes de trânsito, segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde (MS). A Lei 11.705, que muda do Código Brasileiro de Trânsito, entrou em vigor no dia 20 de junho e mudou o hábito da maioria. No entanto, especialistas em psicologia no trânsito e policiais rodoviários federais consideram que o álcool não é a principal causa de acidentes com veículos.

O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) registrou queda de 24% no número de resgates em 14 dos 144 postos do país. O balanço do primeiro mês de vigência da lei, com a contabilização de ocorrências de todos os postos do Samu, deve ser divulgado em agosto pelo MS. Mas se o número sugere redução no número de acidentes, o diretor do Centro de Psicologia Aplicada ao Trânsito (Cepat), Salomão Rabinovich, avisa: a bebida alcoólica é apenas um dos causadores de acidentes no trânsito brasileiro.

“Temos outros fatores como as drogas ilegais, as drogas farmacêuticas, distúrbios de sono e problemas de personalidade. O álcool não é o único vilão dessa história toda”, acrescenta. Rabinovich espera que a fiscalização contra o consumo de álcool por motoristas seja permanente. “A Polícia Militar precisa ser melhor equipada, pois é ela que tem competência para esse tipo de fiscalização. Mas quero ver quanto tempo vai durar esse trabalho no país todo”, duvida.

Nas estradas
Segundo balanço da Polícia Rodoviária Federal (PRF) de 2007, a imprudência foi a principal causa dos acidentes nas rodovias brasileiras. O documento revelou ainda que 80,75% dos acidentes ocorreram em pistas conservadas, 71,4% em retas, 53,6% durante o dia e 63% com tempo seco.

Dos motoristas que se envolveram nas ocorrências, um terço reconhece que não prestaram atenção ao que faziam no momento do acidente. Em 2007, foram registrados 6.128 acidentes envolvendo flagrantes de alcoolemia ao volante. Um crescimento de 154% sobre os flagrantes realizados em 2006 (2.412).