Brasília (DF)

O número de denúncias de agressões a mulheres no país mais que dobrou no comparativo do primeiro semestre deste ano em relação ao mesmo período de 2007. Números apresentados ontem pela Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, com base no número de serviço 180 – a central de atendimento à mulher – apontam que, de janeiro a junho de 2008, foram feitos 121.891 contra 58.417 em igual período de 2007, um incremento de 107,9%. A lei Maria da Penha, que pune com mais rigidez os agressores de mulheres, completou dois anos ontem.

Os dados mostram ainda um crescimento quase três vezes e meio superior na quantidade de pessoas que pretendem informar-se sobre a lei. Enquanto no primeiro semestre do ano passado 11.020 ligações foram atendidas com o intuito de prestar esclarecimentos sobre a lei, no primeiro semestre de 2008 os atendimentos foram de 49.025.
Distrito Federal, São Paulo, Pará e Goiás lideram o ranking das denúncias. Na outra ponta estão Acre, Maranhão e Amazonas.

O levantamento mostra que 61,5% das mulheres informaram sofrer agressões diariamente e outras 17,8% são alvo toda semana de destratos. A maior parte das agressões (63,9%) é praticada pelos próprios companheiros. Em 58,4% dos casos relatados, os agressores estavam bêbados ou eram usuários de drogas.

“A cada ano, temos uma maior divulgação da lei e, à medida que ela passa a ter uma maior efetividade, isso reflete nas denúncias. Só as respostas efetivas aos casos de agressões virão a fortalecer esses números”, avalia a subsecretária Aparecida Gonçalves, da área de Enfrentamento à Violência da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres.