Keci e a filha Ana Alice ficaram sem sair de casa. - Foto: Divulgação/Notisul
Keci e a filha Ana Alice ficaram sem sair de casa. - Foto: Divulgação/Notisul

Kalil de Oliveira
Aventura (EUA)

Há seis meses, a lagunense Keci Martins, 39 anos, vive o sonho americano na pequena cidade de Aventura, a 50 quilômetros de Miami, no estado da Flórida, Estados Unidos. Ela trabalha como manicure e pedicure, e com serviços domésticos. Na última semana, entretanto, parecia que algo ruim estava por vir com as notícias de que fortes ventos destruíram comunidades inteiras e deixaram centenas de mortos no Haiti e destruição em outros países caribenhos. 

O furacão Hurricane Matthew – ficou conhecido como o maior dos últimos nove anos -, era destaque o tempo todo em solo estadunidense. Os jornais não circularam na quarta, quinta e sexta-feira, mas dedicaram amplo espaço em seus portais on line. Apenas a internet e as emissoras de rádio e de televisão eram os meios de se informar. Os poucos mercados que abriram suas portas no fim de semana estavam com as prateleiras praticamente vazias. Ninguém podia sair de casa.  “Quando o furacão bateu na costa americana, desviou para o oceano. Graças a Deus não tivemos estragos aqui.  Foi um susto, mas também uma experiência. Deu para perceber que as autoridades se preocupam muito com a população”, destaca Keci.

Segundo ela, houve correria e muito medo nos dias que antecederam a passagem do furacão. Como as autoridades orientaram os moradores a manterem os carros abastecidos, filas foram registradas nos postos de combustíveis. A informação na mídia é que poderia haver interrupção no fornecimento de água e energia elétrica. Por causa da grande procura, em alguns mercados ocorreu a falta de água potável, alimentos perecíveis, pilhas, lanternas e velas. “Estávamos nos preparando para o pior. Aeroportos estavam fechados, voos cancelados. Quem morava em casas ou prédios sem dispositivo de segurança contra furacões, teve que procurar abrigos. Aqui muitos vivem em trailers. Estradas foram fechadas e todos tinham que obedecer a ordem de não sair de casa”, relata.

Saudades e a esperança de um futuro melhor
Há poucos meses nos Estados Unidos, a manicure diz que tem muitas saudades do Brasil, principalmente do filho Gustavo Almeida, 20 anos, que reside em Tubarão. A caçula Ana Alice, 15 anos, está com ela e pretende seguir estudos e carreira nos Estados Unidos. “No Brasil eu tinha meu salão e vendi tudo para vir para cá. Vim com minha filha de 15 anos com a cara e a coragem sem conhecer ninguém. Mas aqui nada é fácil como todos pensam. Pelo menos minha filha terá um futuro maravilhoso, aprendendo a língua num país estruturado, com escolas ótimas”, avalia.

Quase 900 mortos
Após a grande destruição de um terremoto em 2010, o Haiti ainda tentava se reerguer. A passagem do furacão Hurricane Matthew, na última terça-feira, segundo agências internacionais, deixou um grande rastro de destruição. Mais de 280 mil residências foram destruídas. Já se contabilizam quase 900 na ilha, porém, como há locais isolados, a tendência é que o número seja muito maior. Houve mortos na República Dominicana e também nos Estados Unidos. Em Cuba, 1,3 milhão de pessoas ficaram desabrigadas, mas não houve mortes.

Ajuda humanitária
Apenas dos Estados Unidos já foram enviados US$ 1 milhão, segundo as últimas informações. Em terras americanas há intensa movimentação para arrecadar mais ajuda. Brasileiros também podem participar. Uma forma é por meio da Unicef, por meio do site www.unicef.org.br.