Sangão

A rixa que colocou em lados opostos membros de uma mesma família virou caso de polícia. A tentativa de homicídio registrada no último dia 23 na Praça Central de Sangão, envolvendo o ex-prefeito Antônio Mauro, seus filhos Ricardo e Marcos, bem como seu primo Luciano Eduardo e seu pai Braz Eduardo, está sob investigação da Delegacia de Polícia da Comarca de Jaguaruna.

De acordo com a delegada Isabel Fauth, as testemunhas estão sendo ouvidas para verificar as versões dos envolvidos. Ela relata que um revólver calibre 38 foi entregue pelo Luciano na sexta-feira após o atentado (dia seguinte dos fatos). Ele não possui licença para portar a arma. “Pedimos um mandado de busca nas casas dos envolvidos, mas não foram encontrados elementos suspeitos. O relato das testemunhas são divergentes e continuamos investigando o caso”, explica a delegada.

Nesta semana, ela solicitou uma medida cautelar restritiva ao juiz da Comarca, Gustavo Schlupp Winter, que aplicou a ação aos cinco envolvidos. O ato restringe a presença dos citados a reuniões, bares, festas, sessões da Câmara de Vereadores e similares. Além disso, no período noturno, todos têm que se recolher às suas casas. A medida vale até o dia 7 de abril.

Na mesma decisão, o juiz argumenta também sobre a busca e apreensão ocorrida na casa do ex-prefeito e seus filhos, onde relata indícios do crime de posse de arma de fogo por Ricardo e/ou Marcos Eduardo, já que foram encontrados dois tipos diferentes de fragmentos de projéteis no local dos fatos, inclusive em pontos opostos. “A medida foi aplicada para evitar novos crimes durante as eleições, já que a briga está ligada a desavenças pessoais e políticas”, reforça Fauth.

Na versão de Luciano, um dos tiros pegou na porta da S10
Tudo começou com um desentendimento ocorrido no dia 21 de fevereiro. De um lado, o ex-prefeito de Sangão Antônio Mauro Eduardo, 58 anos, e do outro o seu próprio primo, Luciano Braz Eduardo, 38. O motivo da rixa é incerto: enquanto Mauro fala em divergências políticas nascidas da eleição suplementar que vai escolher o novo prefeito de Sangão em 2 de abril, Luciano nega. Em sua versão, o caso começou por problemas particulares.

Já no dia 23, uma nova briga foi registrada na Praça central de Sangão envolvendo disparos de arma de fogo. Testemunhas afirmam que apenas um estava armado e efetuou seis tiros, outros dizem que ambos estavam armados e dispararam seis tiros cada um. A Polícia Militar esteve no local da briga, mas não encontrou sinais de confronto, nem testemunhas dispostas a contar o que viram. Luciano, por sua vez, afirma que desde o dia 21 era ameaçado por Mauro e os filhos Marcos, 28, e Ricardo, 24. Ele, que é chefe de gabinete em Sangão, estava com o pai Braz Eduardo, 64, assistindo a sessão da Câmara, como faz toda quinta-feira.

Luciano conta que na saída o grupo de Mauro estava à sua espera para um acerto de contas. Houve uma briga do lado de fora, mas ele e o pai decidiram ficar na Câmara até os ânimos se acalmarem. Quando iam para casa, os dois, que seguiam no carro de Luciano, encontraram Marcos e Ricardo sentados na praça central da cidade. Luciano diz que aproveitou e pediu para eles interromperem a rixa. Foi aí que, segundo o chefe de gabinete, um dos rapazes tentou agredi-lo, foi até outro carro, sacou um revólver e começou a atirar.

Era por volta das 20 horas, e a praça estava movimentada. Na versão de Luciano, um dos tiros pegou na porta de seu Chevrolet S10. “Respondi em legítima defesa. Foram seis tiros de cada lado”, afirma. Ricardo é quem teria atirado. Na sexta à tarde, Luciano foi à delegacia de Jaguaruna prestar depoimento e entregar a arma.

Família de Antônio Mauro diz que não reagiu a tiros
Marcos confirma que esteve com o irmão na Câmara, até o momento da briga, com a qual eles não teriam nenhuma relação. De lá foram até a praça buscar a irmã Patrícia, 20, que estava saindo de sua clínica odontológica. Foi quando Luciano e o pai chegaram e teriam dado início à discussão. Ricardo teria segurado a porta do carro para que Luciano não saísse. Nesse momento, afirma Marcos, o Luciano teria começado a atirar contra eles.

Marcos e Ricardo conseguiram se esconder, mas Patrícia, em pânico, teria ficado no meio da estrada, entre Luciano e o Sandero, de Ricardo. Mauro estava em outro bairro fazendo campanha e garante que os filhos nem mesmo possuem armas. Marcos também nega que eles tenham atirado. Em sua versão, os tiros partiram apenas de Luciano.