Desde que perdeu a mãe para um aneurisma cerebral, há três anos, Josielio Pereira Marinho, 27 anos, de Campina Grande (PB), se viu sozinho para cuidar do pai idoso e diabético, e de mais dois irmãos mais novos.

A difícil missão de carregar tudo nas costas fez o jovem ressignificar a sua relação com o pai e alguns valores.

Seu João Marinho tem 71 anos e por conta do diabetes, um ferimento no pé se transformou num grave problema de saúde. No começo deste ano passou por uma cirurgia para a retirada do tendão que havia necrosado. Josielio dedicou 7 meses de cuidados com o pai.

“Nesse período, me tornei um cuidador particular de meu pai. Comprava tudo que ele devia comer, preparava suas refeições, auxiliava no banho, trocava de roupa, comprava seus remédios, ia às consultas, fazia os curativos todos os dias, massagens, movimentos fisioterápicos… tudo por amor, por gratidão”, contou Josielio ao Razões.

Com o pai acamado e passando por dificuldades financeiras, a família teve que enfrentar mais um barra: uma grave infecção urinária no seu João.

“Eu passei a ouvir mais meu pai, a criar diálogos para tentar acalmá-lo porque ele também corria risco de amputar o pé. Na frente dele eu sempre fazia expressões positivas, mas sozinho eu chorava, me sentia perdido e só”, desabafou Josielio.

Inclusive, para dar mais qualidade de vida ao pai, o filho começou a pesquisar receitas saudáveis.

“Ninguém sabia cozinhar e precisávamos comer… Eu então assistia vídeos no Youtube para poder fazer nossa comida e assim foi e é até hoje.”

Após 7 meses de tratamento, finalmente seu João está melhor. O ferimento do pé cicatrizou e o da barriga (por conta da infecção urinária) também. Hoje ele está melhor graças ao empenho e cuidados do filho.

“Hoje ele anda sozinho. Sem ajuda de cadeira de rodas, muletas ou minha. Sempre existe um propósito para tudo o que passamos”, disse Josielio.

Após morte da mãe, Josielio abriu mão da faculdade. “Não tinha forças para continuar”

Quado a mãe faleceu, Josielio estava no último ano na faculdade de Letras, tinha planejado tudo, mas não teve forças para continuar.

Hoje, após passar por tudo isso, ao lado do seu João, conseguiu se formar! No ano passado apresentou o seu TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) e como ele mesmo disse, “é professor por formação, além de nutricionista, enfermeiro, psicólogo, cozinheiro e administrador pela vida”.

“Esses últimos três anos eu cresci muito quanto pessoa, todas essas coisas me fizeram criar mais resistência para a vida. Passei a ajudar pessoas contando um pouco do que sofri e como superei.”