Elas foram chegando aos poucos e às 19h30 desta quinta-feira (28), a praça Ângelo Piazera, no Centro de Jaraguá do Sul, estava repleta de mulheres de todas as idades dispostas a lutarem juntas contra o estupro, crime que tem vitimado pelo menos uma mulher a cada três dias na região, número que na realidade deve ser ainda bem maior, já que muitas mulheres estupradas não chegam a formalizar denúncia.

A “Vigília contra a cultura do estupro” realizada pela UBM (União Brasileira de Mulheres) reuniu mulheres que já passaram por essa violência, cometida quase sempre por membros da própria família, amigos ou conhecidos.

E também ali estiveram pessoas que se solidarizam com a luta feminista pela busca de espaço e respeito em relação às opções sexuais. Na semana passada, uma jovem de 20 anos, gay, foi estuprada por alguém que ela considerava amigo e esse foi um dos motivos de realização da vigília.

A diretora de Cultura da União Brasileira de Mulheres (UBM), em Jaraguá do Sul, Mariana Pires, lembra que são os hábitos de uma população que determinam uma cultura de estupro. “Enquanto o estupro for hábito comum é importante que as pessoas se manifestem contra isso”.

Esse foi o segundo ato público contra a cultura do estupro realizado pela UBM no município – o primeiro foi  em setembro do ano passado.

“Dizem que Jaraguá do Sul é uma cidade pacífica, mas é só a gente olhar os dados e ver que aqui não é tão tranquilo assim”, adverte Mariana. No entanto, ela ressalta que esta não é uma questão somente de Jaraguá do Sul, “é algo que está enraizado em nossa sociedade”.

Policial orienta como agir diante do estupro

A policial civil que atua em Guaramirim, Mariana de Paula Rigon, participou do ato com o objetivo de transmitir orientações às vítimas de estupro. “Já no primeiro momento, a pessoa deve ligar para o número 190 e informar à polícia, porque é muito importante que o agressor seja pego em flagrante, isso ajuda toda a investigação”.

Após, prossegue Mariana, “dirija-se ao plantão 24 horas de uma Delegacia de Polícia, em Jaraguá do Sul, ou à Delegacia Especializada de Proteção à Mulher (DPCAMI), no horário das 9h às 18 horas”. Nesse momento, serão emitidos o Boletim de Ocorrência (BO) e uma guia para o Instituto Médico Legal (IML), onde é feito o laudo pericial e a coleta da materialidade, que vão ajudar na investigação.

Mariana lembra ainda que, posteriormente, é necessário que a vítima se dirija a um hospital ou ao Posto de Atendimento Médico Ambulatorial (Pama), no prazo de 72 horas, para que faça o procedimento do chamado ‘coquetel’: “Caso a vítima tenha sido exposta a uma doença sexualmente transmissível (DST), essas substâncias acabam inibindo a manifestação da doença”.

A policial orienta as vítimas maiores de 18 a assinarem um termo de representação para que o caso seja investigado. “A lei abre esse precedente, porque a vítima já foi exposta durante o crime sexual, um ato muito invasivo, e haverá  todo um processo, depois vai para a Justiça, terá que falar, reviver a agressão, então, ela poderá optar por não representar contra o agressor e a gente não poderá investigar”.

Já em caso de menores de 18 anos, a própria Polícia Civil encaminha os documentos necessários e leva a criança ao hospital. Mariana acha que o crescimento no número de casos no município está ocorrendo porque as mulheres estão tomando consciência da necessidade de que os agressores sejam denunciados e responsabilizados pelos seus atos. “Os números alarmantes são muito maiores do que a gente imagina”, conclui.