Itajaí: Presos cuidam de cães abandonados e ganham redução de pena

O presídio de Itajaí inovou e está colocando presos com bom comportamento para cuidarem de cães abandonados nas proximidades da penitenciária. Bom para os animais – que recebem abrigo comida e carinho – e para os detentos, que aprendem uma profissão e podem conseguir redução no tempo de pena.

 

Nesta primeira fase, 10 detentos da penitenciária vão cuidar dos cachorros e receber um curso profissionalizante de banho e tosa. Depois de cuidados, os animais serão colocados para adoção.

Terapia

O projeto passou por um ano de estudos até se tornar realidade. Os próprios presos construíram um canil dentro do complexo, com gramado, uma piscininha para os animais se refrescarem e brinquedos para que eles possam se exercitar.

A ideia do “ReabilitaCÃO”, é da agente penitenciária Bruna R.W.Logen e resolve dois problemas de uma vez: cuida dos animais sem dono das redondezas e funciona como uma terapia para os presos.

Resultados

A juíza Cláudia Ribas Marinho, titular da Vara de Execuções Penais da comarca de Itajaí, disse que os resultados do projeto são nítidos.“Nós já vimos mudança de comportamento. Os profissionais que trabalham no setor psicossocial fizeram uma avaliação, antes e depois, do comportamento dos presos. Há mudança de temperamento e mais confiança no futuro”, explicou.

O diretor da penitenciária, Marcelo Ribas, informou que ninguém é obrigado a fazer o trabalho. E que só participam do projeto os presos que atendem a critérios pré-estabelecidos, como o bom comportamento e que tenham no perfil traços de depressão e de ansiedade.

Os selecionados podem cumprir menos tempo de prisão se desenvolverem um bom trabalho. “O preso exerce de forma voluntária o trabalho, mas em contrapartida há remissão de pena. A cada três dias trabalhados, tem a remissão (perdão) de um dia”, explica o diretor.

OportunidadeUm dos presos viu no projeto uma oportunidade de aprender uma profissão. “Esse profissionalismo que os cursos vão trazer para nós são uma nova oportunidade. É um crescimento profissional”, disse W.C.G, de 36 anos.

Ele cumpre pena há três anos por tráfico de drogas e pretende trabalhar nessa área daqui a alguns meses, quando ganhar a liberdade.

“A partir do momento em que começamos a fazer esse trabalho, o contato com os animais nos trouxe um pouco mais de paz. O sentimento de empatia e gratidão que a gente encontra no dia a dia, na rotina. É gratificante fazer parte disso”, concluiu.