Florianópolis

O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) realizou levantamento da presença de agrotóxicos na água de abastecimento público de 100 municípios de Santa Catarina e identificou que 22 recebem água com resquícios de agrotóxicos. Ao todo foram analisados 204 princípios ativos de agrotóxicos. As operadoras do sistema de água pesquisam somente 27 substâncias, conforme o parâmetro indicado pelo Ministério da Saúde.

Dos 17 princípios ativos de agrotóxicos encontrados na água que chega aos municípios monitorados, sete são proibidos na União Européia devido aos efeitos negativos que podem provocar na saúde humana – atrazina, simazina, bromopropilato, metalacloro, permetrina, propargite, propiconazol.

As amostras foram coletadas entre março e novembro de 2018, período de safras e cultivos, pelo Programa da Qualidade da Água Tratada, do Centro de Apoio Operacional do Consumidor (CCO) do MPSC, em parceria com a Agência Reguladora Intermunicipal de Saneamento (Aris) e a Agência de Regulação de Serviços Públicos de Santa Catarina (Aresc). O monitoramento é realizado com recursos do Fundo para Reconstituição de Bens Lesados (FRBL).

 A Doutora em Engenharia Química Sonia Corina Hess analisou os resultados obtidos nas amostras e produziu um diagnóstico que será apresentado no Seminário sobre Agrotóxicos nos Alimentos, na Água e na Saúde, que ocorre a partir desta segunda-feira, na sede do MPSC, em Florianópolis. “Essa contaminação repercute em riscos à saúde dos consumidores, uma vez que possivelmente há outros agrotóxicos e poluentes presentes interagindo com os poluentes aferidos, e que não foram abordados nas análises, com efeitos imprevisíveis sobre a saúde da população exposta”, alerta Sonia , que é pós-doutora em química e professora da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

As análises envolveram municípios na Grande Florianópolis, Oeste, Sul, Vale do Itajaí, Norte e Serra, que foram escolhidos com base na relação entre população, cultivo de alimentos e venda de pesticidas. O município com a maior variedade de agrotóxicos na água foi Rio do Sul, com sete substâncias diferentes, mas 13 cidades apresentaram mais de um princípio ativo simultaneamente.

Para a Coordenadora do CCO, Promotora de Justiça Greicia Malheiros da Rosa Souza, o resultado das análises aponta a necessidade de ampliação do monitoramento e a realização de pesquisa para identificação da origem de contaminação e adoção de medidas corretivas para diminuir os riscos ao cidadão.

Tubarão Saneamento se manifesta por meio de nota oficial

Na manhã desta sexta-feira , um veículo de comunicação de Santa Catarina, divulgou informações sobre um estudo do Ministério Público, que citava a presença de traços de agrotóxicos na água de 22 cidades Catarinenses.

A Tubarão Saneamento garante a qualidade da água distribuída no município de Tubarão, conforme os parâmetros exigidos na Portaria de Consolidação N° 5 de 2017, emitida pelo Ministério da Saúde. A Concessionária acompanha a água distribuída desde o manancial até o cavalete do imóvel do usuário, tudo isso por meio de coletas sistemáticas de amostras e realização de ensaios laboratoriais.

É prática da Tubarão Saneamento a realização de análises completas sobre a presença de agrotóxicos. O mesmo estudo, com novas coletas, também é feito pela Agência Reguladora de Saneamento de Tubarão. No ano passado, todos os levantamentos estavam dentro dos parâmetros de qualidade da água exigidos pelo Ministério da Saúde. Já nos primeiros meses de 2019, em análises internas e por laboratório, também não foram identificadas irregularidades.

Grupo Atlantis também se manifesta sobre parecer

Um estudo sobre a presença de resquícios de agrotóxicos na água superficial e subterrânea, realizado pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), foi publicado na imprensa nesta sexta-feira . No relatório, havia traços da substância em 22 municípios, dentre eles Jaguaruna e Gravatal.

A Jaguaruna Saneamento, que abastece os Balneários Camacho e Garopaba do Sul, a Águas de Jaguaruna, responsável por Dunas do Sul até o Arroio Corrente, além de alguns trechos da Esplanada e Campo Bom, e a Gravatal Saneamento trabalham 24 horas para garantir água dentro de todos os parâmetros exigidos na Portaria de Consolidação N° 5 de 2017, do Ministério da Saúde.

Diariamente realizamos testes na água bruta e tratada em nosso laboratório para assegurar qualidade e segurança para a população. Análises completas também são efetuadas todo mês certificando a potabilidade da água. Nesse processo confirmamos detalhadamente todos os pontos que caracterizam a água própria para consumo, como a turbidez, cor, ferro, dureza, sílica, pH, gases, coagulação, dentre outros.

Além disso, por meio de um laboratório terceirizado, as Vigilâncias Sanitárias Municipais realizam mensalmente análises na água. Todos os parâmetros estão dentro das normas exigidas pela legislação. A Jaguaruna Saneamento, Águas de Jaguaruna e Gravatal Saneamento se mantêm à disposição da população para responder quaisquer dúvidas. Agradecemos a confiança dos usuários e continuaremos trabalhando para levar água com segurança e qualidade.

Sindesc divulga nota sobre levantamento

O Sindicato das Empresas Operadoras e Concessionárias de Saneamento de Santa Catarina (Sindesc), vem por meio de Nota Oficial se pronunciar sobre as publicações em veículos de comunicação catarinenses, que alertam sobre a presença de traços de agrotóxicos na água de 22 cidades do Estado. A notícia foi divulgada nesta sexta-feira  e usa como fonte o Ministério Público.

A qualidade da água distribuída em todo o país segue os parâmetros exigidos na Portaria de Consolidação N° 5 de 2017, emitida pelo Ministério da Saúde. Este trabalho é acompanhado pelas Agências Reguladoras, além do Programa de Vigilância da Qualidade da Água, monitorado pela Vigilância Sanitária.

O Sindesc explica que as empresas Operadoras e Concessionárias devem seguir a legislação brasileira, nela está especificado os padrões de potabilidade da água e outras exigências. “Hoje estamos expostos a diversas substâncias tóxicas, que podem estar presentes em frutas, verduras, carnes, até em alguns produtos dermatológicos, entre outros. Para cada um deles existe um limite e, por isso, cada setor tem a sua legislação e os parâmetros para serem respeitados” explicou a engenheira sanitarista ambiental, Elis Gomes de Souza. 

O Sindesc lamenta pelo conteúdo divulgado e acredita que falta contexto e, que em breve o próprio Ministério Público deve esclarecer. A notícia gerou preocupações desnecessárias, que não condizem com a qualidade da água disponível em todo o Estado. O Sindesc ressalta que as Operadoras e Concessionárias de Santa Catarina cumprem integralmente a atual legislação brasileira e que não há risco para a comunidade catarinense.