Jailson Vieira
Tubarão

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Marina (E) Edla (C) e Caio aprenderam a superar as ‘barreiras da vida’. – Foto: Jailson Vieira/Notisul.

Não é muito fácil viver em um mundo onde o ‘normal’ é uma pessoa ter mais de 1,5 metro. Mas se engana quem pensa que os irmãos Caio Silveira Batista, 26 anos, e Marina Silveira Batista, 25, portadores de nanismo, aborrecem-se com as suas condições físicas. Desde a infância, apreenderam a driblar as situações adversas e, literalmente, ‘de um limão fazem uma limonada’.
Graduados no ensino superior, ele em relações internacionais (hoje cursa computação) e ela em publicidade e propaganda, já fizeram intercâmbio no Canadá e Chile, e atualmente trabalham em empresas da região. “Tivemos uma infância de ouro. As crianças nos respeitavam, os valores trazidos de casa eram maiores naquele período e não havia preconceito quanto às nossas limitações”, destaca Caio.
Marina se lembra que nas três fases: infância, adolescência e vida adulta, o período mais turbulento foi na juventude. “A transição na adolescência foi mais difícil. Com o tempo tudo foi melhorando e, enfim, tudo se ajeitou”, esclarece a jovem publicitária.
Os irmãos são filhos da palestrante e também publicitária Edla Zim, que lembra que as duas gestações foram tranquilas, ela afirma que ambos foram dádivas em sua vida. “Eles são incríveis! Juntos, aprendemos muito. Fui saber que o Caio tinha nanismo após 17 dias do parto. Quando engravidei da Marina soube na gestação e foi minha felicidade porque um acompanharia o outro”, recorda Edla.
Para a profissional de comunicação, o maior obstáculo, até hoje, foi o dia em que uma escola não aceitou os seus filhos por considerar que não estava preparada para a especialidade, mesmo depois da matrícula efetuada.
No início do ano passado, os dois irmãos participaram de uma campanha publicitária da Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) intitulada de ‘Todos somos iguais porque somos diferentes’, o a qual relatou que apesar do parentesco, eles são opostos, ‘Caio é a calmaria e Marina a tempestade’. A campanha fez tanto sucesso que eles já foram confundidos com dois atores. “A iniciativa foi tão ao encontro que apenas um deles faria a campanha, mas quando conversaram com os dois viram que não poderiam contar somente uma história, mas sim dos dois. A propaganda se moldou a eles”, constata Edla.

Quais são os tipos de nanismo?
O nanismo ocorre quando uma pessoa tem a altura muito menor do que a média dos demais indivíduos da mesma população. A média é de 20% menos estatura do que a considerada ‘comum’, o que significa que, de modo geral, os homens possuem uma estatura menor que 1,45 metro e as mulheres quando é menor que 1,40 metro. As pessoas inseridas neste quadro também são denominadas de anões.

Quais são os tipos de nanismo?
Existem mais de 80 tipos e cerca de 200 variações de nanismo. Porém, todos esses estão classificados obedecendo a uma ordem de questão hormonal e também à proporcionalidade da estrutura óssea.
• Proporcional: é aquele em que o tamanho dos órgãos mantém proporcionalidade entre si e com a altura do indivíduo.
• Desproporcional: Denominado de displasia esquelética este tipo de nanismo ocorre quando alguns órgãos são de tamanho maior, o que é considerado desproporcional à estrutura óssea do indivíduo.
• Hipofisário ou pituitário: ocorre quando a hipófise ou a glândula pituitária é responsável pela produção do hormônio do crescimento.
• Acondroplasia: quando há defeito do crescimento ósseo a partir das cartilagens. (Tipo dos irmãos Silveira Batista)

Incidência no país:
No Brasil, existem cerca de 20 mil pessoas com nanismo. Um total de 10% dessa população especial mora em São Paulo.