Uma parceria entre Cegero e Cerbranorte, para a construção e operação conjunta de uma Linha de Distribuição de 138kV, em circuito duplo, prevê um investimento de R$ 60 milhões. A Linha de Distribuição/Transmissão será de aproximadamente 30,3 km, e conectará as duas subestações, da Cegero e Cerbranorte, ao Sistema Interligado Nacional (SIN). A intenção é reduzir custos e aumentar a qualidade do fornecimento de energia.

Para isso, o estudo prevê R$ 8 milhões de economia ao ano e redução aproximada a 7% na tarifa de energia elétrica paga pelos associados. Segundo o Coordenador Administrativo e de Regulação da Cegero, Flávio Schlickmann, o estudo de conexão à rede básica se iniciou em 2018. Num primeiro momento, a intenção seria fazer a conexão numa linha de 525kV, que está sendo construída e deve cruzar a região de São Ludgero e Braço do Norte.

Porém, os estudos demonstraram a inviabilidade da conexão nesse nível tão alto de tensão. Foi então que surgiu a informação que uma subestação de 230kV (Subestação – SE Tubarão Sul) estaria sendo construída até 2022 na região entre Tubarão e Treze de Maio. Com ela poderia ser viabilizado o acesso a rede básica, proporcionado mais segurança e economia ao fornecimento de energia da Cegero e também da Cerbranorte.

Esta então, seria uma alternativa adequada de expansão a longo prazo para as Cooperativas, haja vista que as tarifas de uso do sistema elétrico passam a ser mais econômicas do que os atuais contratos. “Diante dessa informação, iniciamos as reuniões e tratativas com a Cerbranorte no intuito de amadurecer a parceria e viabilizar a obra, visto que pelo volume de investimento, a obra somente é viável se for realizada em conjunto”, relembra Flávio.

No final de 2020, após a conclusão dos estudos técnico, econômico e financeiro, foi constatado que a obra seria viável e fundamental para ambas as Cooperativas, tanto sobre o aspecto técnico, quanto pelo aspecto econômico e financeiro. “Para dar seguimento, foi então contratada uma empresa projetista e iniciado tanto o projeto, quanto o processo de autorização junto a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e ao Operador Nacional do Sistema (NOS)”, pontua.

A autorização para construção conjunta entre Cegero e Cerbranorte foi emitida pela Aneel, em 2020. Pelo lado do ONS, a autorização também foi dada por meio da emissão do parecer favorável de acesso estando, portanto, a obra autorizada para ser construída e conectada à rede básica por meio da subestação Tubarão Sul, de propriedade da EDP Transmissão Litoral Sul S.A..

“Com relação ao projeto da linha, o mesmo foi finalizado no início de março, estando pronto para a execução. As liberações ambientais, bem como o processo de regularização das servidões administrativas já estão em andamento, com todas as áreas já mapeadas e valores indenizatórios definidos. A conclusão e conexão da linha está estabelecida para ocorrer até o dia 02 de julho de 2023”, informa Flávio.

Um ponto importante é que o parecer de acesso, bem como a disponibilidade de ponto de conexão na Subestação Tubarão Sul é temporário. Ou seja, caso as Cooperativas optem por não dar continuidade ao projeto, os pontos de conexão, hoje reservados para as duas Cooperativas, passam novamente a ser disponibilizados para outros agentes que tenham interesse na conexão. “Estamos falando, portanto, de uma oportunidade ímpar para as duas Cooperativas, que no futuro poderiam não ser mais possível” resume o Coordenador.

No ponto de vista financeiro, o principal objetivo é a redução de custos e consequente redução da tarifa de energia para os associados. Hoje a Cegero paga o transporte da energia para a Celesc, proprietária da linha que abastece tanto a Cegero quanto a Cerbranorte.

“A grosso modo, ao nos conectarmos na rede básica, as Cooperativas deixam de pagar esse custo a Celesc e passam a ser as proprietárias da sua própria linha, conectada diretamente a rede básica, o que significa um custo de transporte muito menor. Apesar de passarmos a ter, a partir daí, os custos de operação e manutenção da nossa própria linha, ainda assim, estimamos, só para a Cegero, uma redução de custos na ordem de R$ 4 milhões por ano”, informa o Coordenador Econômico e Financeiro da Cegero, Adilson Soethe.

O custo de construção da linha está em torno de R$ 60 milhões, metade pela Cegero e a outra metade pela Cerbranorte. A Cegero hoje não possui todo o recurso em caixa e deve recorrer ao mercado financeiro para pagar o investimento. “Porém, pela estimativa de redução de custos, por volta de R$40.000.000,00 em aproximadamente 10 anos, só pelo lado da Cegero, o retorno do investimento acaba sendo rápido, o que viabiliza a obra. Estimamos que a redução de custos gerados por essa linha, oportunize para a Cegero uma redução tarifária média de aproximadamente 7% aos consumidores”, esclarece Adilson.

Com relação ao aspecto técnico, o Coordenador e Engenheiro responsável técnico da Cegero, Adriano V. Maurici, diz que a obra busca garantir o fornecimento de energia para as próximas décadas, além de melhorar a qualidade e confiabilidade. “A linha que hoje alimenta tanto a Cegero quanto a Cerbranorte, está chegando na sua capacidade máxima, e em breve teria que ser ampliada pela Celesc. Além disso, nos últimos meses temos sofrido constantes oscilações de tensão e interrupções no fornecimento de energia em função de falhas na linha da Celesc, o que seria resolvido com o investimento na nossa própria linha”, informa.

Ele afirma que a conexão na rede básica, em 230 kV, deve melhorar tanto a qualidade, quanto a confiabilidade do fornecimento. “A qualidade está ligada ao nível de tensão que principalmente nos meses de verão tem apresentado problemas. Já a confiabilidade está relacionada a interrupções de energia, principalmente de curta duração, que acabam gerando inúmeros transtornos aos consumidores, principalmente os industriais que dependem de um fornecimento de energia continua e estável” detalha Adriano.

Para o presidente da Cegero, Francisco Niehues Neto, o Chico, a construção da linha e conexão à rede básica se mostrou fundamental para o futuro de ambas as Cooperativas. “Há alguns anos, mais precisamente em 2008, os associados da Cegero tiveram que decidir sobre outro grande investimento, a construção da subestação de 138kV. A obra teve um custo aproximado de R$ 8 milhões e foi essa importante decisão que garantiu a qualidade e continuidade do fornecimento nos últimos anos, permitindo ainda que a Cegero pudesse estar entre as tarifas mais baratas do Brasil na atualidade” pontua o presidente.

Ele explica que novamente ocorre com a construção dessa linha. “Esperamos que tanto os associados da Cegero, quanto da Cerbranorte, entendam a importância dessa obra e aprovem a construção da mesma. Não podemos esquecer que o nosso negócio é distribuir energia elétrica, e essa deve ser a prioridade. É somente por meio da distribuição com qualidade, confiabilidade e tarifas equilibradas, que as coisas acontecem e o propósito de ambas é concretizado”, ressalta Chico.

Sobre a parceria com a Cebranorte, o presidente declara estar feliz em poder promover o 6º Princípio do Cooperativismo, que é a intercooperação, com coirmã Cerbranorte, e parabeniza os colaboradores de ambas as Cooperativas, como também o próprio Administrador da Cerbranorte Cristiano Orlandi pelo empenho e dedicação durante todo o processo de concepção desse projeto.

“Estamos todos focados em fazer o melhor pelas duas Cooperativas. Seria muito difícil e inviável para uma cooperativa realizar esse investimento sozinha. Como as subestações tanto da Cegero como da Cerbranorte ficam no mesmo local, dividir os custos do projeto, das indenizações, das estruturas da linha e da própria operação é a melhor opção, principalmente para os associados de ambas as cooperativas. Esperamos que possamos dar continuidade ao projeto, após a aprovação pelos associados, e iniciar as obras em 2021” finaliza o presidente.

 

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