Carolina Carradore
Tubarão

Casacos, gorros e luvas saíram do armário e o aconchego do lar conta com aquecedores e cobertores quentinhos antes mesmo da chegada do inverno. Quarta-feira, os termômetros marcaram 7ºC em Tubarão, a temperatura mais baixa do ano até então. Com uma jaqueta jeans surrada, Osmar dos Santos, 44 anos, tentava proteger-se do frio enrolado em uma manta fininha.

Morador de rua, escolheu como ‘casa’ um pedaço de chão embaixo da ponte Dilney Chaves Cabral, no centro da cidade. As acomodações são divididas com Pretinho, um cachorrinho simpático que fica em alerta toda vez que alguém se aproxima da beira-rio. O papelão é o colchão de Osmar, que não esconde a vontade de ter acomodações melhores para se proteger do frio. “Se alguém quiser me doar roupas de lã e um cobertor mais grossinho, ficarei agradecido”, pede. Osmar escolheu o relento como moradia há quatro anos.

Ele perdeu a casa que tinha, no bairro Campestre, depois que a esposa faleceu. “Um cara lá invadiu a minha casa e nunca mais recuperei. Depois que ela morreu, desnorteei, fiquei sem rumo”, lembra Osmar, que trabalha e sobrevive com o dinheiro que arrecada com a reciclagem. Almoça em um restaurante próximo e não dispensa a marmitex. Figura cativa, passa boa parte da noite conversando com os ‘vizinhos’. Guardas noturnos e vigias de prédios são seus grandes amigos. “Não há quem não goste dele. É uma pessoa tranquila e amigável”, relata o vigia de um prédio próximo.

“Quero mudar de vida”
O reciclador Osmar dos Santos conta com apoio dos amigos. O banho, por exemplo, é liberado todos os dias por funcionários de um posto de combustíveis. Mas a situação complica mesmo em dias de chuva. Quando o nível do rio sobe, Osmar corre para a escadaria de uma lan house em frente e ali fica até que a ‘casa’ fique seca novamente.

Viver embaixo da ponte não é a vida que Osmar gostaria de ter. “A prefeitura já tentou me tirar daqui, mas para onde vou? Eles não têm para onde me levar”, contesta. O reciclador gostaria de ter uma condição de moradia digna e garante que está disposto a encarar um emprego com carteira assinada. “Penso no meu futuro. Queria um lugar para morar e uma companhia feminina”, reflete.

Sem albergue municipal, secretaria auxilia moradores
A situação de moradores de rua em Tubarão é considerada tranquila pela secretaria de assistência social. Segundo a assistente social responsável pelo atendimento a essas pessoas, Cléria Agostinho, seis estão registrados na secretaria como morador de rua. Apenas quatro deles são naturais da cidade. O setor trabalha com busca ativa e oferece auxílio à população que não tem onde morar. “Algumas delas são dependentes químicos. Oferecemos internações, através do Centro de Atenção Psicossocial (Caps)”, observa. Boa parte também não possui documentos. Segundo Cléria, a secretaria auxilia na aquisição destes documentos e, muitas vezes, tenta um contato com a família e promove uma reaproximação.

Tubarão não tem sistema de abrigo institucional, mas um projeto deve sair do papel no próximo ano.

Bazar solidário
Durante o ano todo, a secretaria de assistência social da prefeitura de Tubarão promove o Bazar Solidário. A campanha é intensificada agora no inverno. As pessoas que procuram a assistência social são encaminhadas ao bazar mantido pela prefeitura. A assistente social Cléria Agostinho pede para que a população faça doações de roupas e calçados masculinos, artigos que estão em falta no bazar.

Em Jaguaruna, a solidariedade fica por conta da campanha “Estenda sua mão para aquecer um coração”, promovida pela secretaria de assistência e promoção social. Quem quiser colaborar com doações de agasalhos, calçados, cobertores, roupas de cama e alimentos pode procurar postos de coletas em bancos, escolas municipais e estaduais, e na própria secretaria da família.

Para intensificar a campanha, a prefeitura promove nesta sexta-feira, a partir das 18 horas, no salão paroquial da igreja matriz, o Arraiá Solidário. Na entrada, será cobrado donativo para a campanha.