Imbituba

O fotógrafo gaúcho Marcelo Langon registrou, pela primeira vez, gaivotas atacando baleias-francas em Santa Catarina. Ao todo, foram quatro ataques que aconteceram nesta temporada de avistagem, em Imbituba.

Segundo Langon, foram todos ataques diferentes entre si, e as gaivotas pareciam não saber como agir, estavam estudando as baleias. É relativamente comum ver gaivotas pairando sobre as baleias, examinando se o que veem logo abaixo serve como alimento, “mas em todos esses anos, nunca havia presenciado um ataque, de fato, aqui no Brasil”, completa o fotógrafo, que se especializou em registrar a baleia-franca pela América do Sul. 

De todos os ataques presenciados, um deles foi realizado por apenas uma gaivota, que mergulhou diversas vezes para bicar a baleia e o seu filhote. Outros dois ataques foram realizados por gaivotas que se revezaram entre si nos mergulhos e bicadas. E no último ataque testemunhado, a gaivota tentou bicar a cabeça da baleia bem no momento que essa respirou, espantando o pássaro para longe. 

Para os mais desatentos, esses primeiros registros podem parecer sem importância, mas não são. Na Argentina, esse fato ocorre com muita frequência. Langon conta que lá as gaivotas aprenderam a se alimentar da pele e da gordura das baleias vivas, causando grandes feridas na região dorsal, principalmente dos filhotes. Essas feridas são portas abertas para a entrada de infecções, e já foram apontadas como provável causa de morte de baleias na região. 

O comportamento das gaivotas argentinas é estudado desde 1995 pelos pesquisadores locais. “Na Patagônia, você vê ataques de gaivotas praticamente todos os dias”, lamenta Langon. Para escapar desses ataques, os cetáceos acabam tendo um gasto energético extra, pois ficam agitados, visivelmente nervosos e incomodados. Elas tiveram que aprender a respirar e a descansar na superfície sem deixar o dorso fora d’água. O problema é tão grave, que a Argentina já tentou abater as gaivotas que eram vistas molestando as baleias numa ação sem sucesso chamada, na época, de rifle sanitário.

Mesmo sendo acontecimentos raros no Brasil, Langon sustenta que os registros feitos neste ano servem para alerta e que medidas possam ser tomadas antes que se torne um problema real. “Detestaria ver as baleias que frequentam nossas praias sofrendo com os ataques de gaivotas como os que acontecem na Argentina”, complementa o profissional.