Wagner da Silva
Braço do Norte

A implantação da Indústria de Fosfatados Catarinense (IFC) em Anitápolis voltou a ser assunto em Braço do Norte. A IFC, das multinacionais Bunge (EUA) e Yara (Noruega), pretende explorar uma mina de fosfato por 33 anos.
Em visita à região, a senadora Ideli Salvatti (PT) cobrou do prefeito Evanísio Uliano (PP), o Vânio, e do vice Valberto Wiggers Michels (PT), um posicionamento sobre a possível instalação do empreendimento. Muitas entidades já se manifestaram contrárias à IFC por considerarem a atividade de alto risco ambiental e à saúde humana.

O encontro político foi articulado pelo secretário de educação da prefeitura de Gravatal, Ademir Motta da Silva, o Milo, com o apoio da Associação Empresarial do Vale do Braço do Norte (Acivale).
O presidente da entidade, Silvio Bianchini, aproveitou a presença da senadora e entregou-lhe um manifesto onde fica impresso o posicionamento contrário da entidade em relação ao empreendimento.

Ideli Salvatti mostrou-se solidária ao grupo e disse também ser contra a instalação da IFC em Anitápolis. “Após conhecer as informações mais tecnicamente, passei a concordar com o posicionamento contrário da região. Temos que investir em pesquisa para encontrar uma saída para a agricultura que não seja o vício do uso dos agrotóxicos”, enfatizou a senadora.

Na justiça
A Licença Ambiental Prévia (LAP) para a instalação da IFC, fornecida pela Fatma, foi suspensa em outubro de 2009, após a sentença à ação civil pública protocolada na Justiça Federal pela ONG Montanha Viva, de Anitápolis. O estado, a Fatma e a prefeitura de Anitápolis contestaram, em novembro. Ambas argumentações foram negadas junto à 3ª turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) e ao Tribunal de Justiça, respectivamente.

O outro lado

• A Indústria Fosfateira Catarinense (IFC) está sob o comando das multinacionais Bunge e Yara. A empresa pretende explorar, na primeira etapa, uma mina de fosfato em Anitápolis por 33 anos.
• Após meses de silêncio, representantes da IFC apresentaram o projeto em uma reunião na Fatma, em Florianópolis. Conforme expôs o engenheiro sanitarista e ambiental responsável pelo setor de meio ambiente neste projeto da IFC, Adriano Pina Pereira, a empresa efetivou o processo de implantação em 2005.

• Segundo o engenheiro, foram feitas mais de 20 mil horas de trabalho de pesquisa, o que gerou um documento de 2,5 mil páginas. O conteúdo abrange estudos de impacto ambiental, viabilidade, riscos, além de programas e medidas para minimizar qualquer impacto negativo.
• Conforme a IFC, a área adquirida é de 360 hectares. Deste total, apenas 15% será explorado. O restante da área, aproximadamente 1,5 mil hectares, será preservado. O engenheiro ainda pontuou que o investimento é seguro e segue todos os trâmites legais para sua concessão.

• Outra preocupação da região, quanto às barragens, foi respondida pelo consultor técnico e responsável pelo monitoramento da barragem, o geólogo da IFC, Paulo Abrão. Ele explicou que os paredões terão 56 metros de altura, 300 metros de base e ocuparão uma área de 64 hectares. Segundo ele, a barragem não concentrará resíduos tóxicos e não prevê o envio de materiais aos rios da região.
• O responsável pelas análises e monitoramentos dos recursos hídricos da IFC, Carlos Tussi, explicou que haverá nove pontos de monitoramento ao longo do Rio dos Pinheiros e confluentes. “Além de atender o determinado pelo órgão ambiental, o declive acentuado mantém um fluxo rápido de água, o que não prejudicará o abastecimento nos municípios”, apontou.