Laguna

Após um longa explanação sobre o que se trata o polêmico projeto Anitápolis, que prevê a instalação de uma empresa de exploração de fosfato no município serrano, a Indústria de Fosfatados Catarinense (IFC), ontem, em Laguna, um questionamento ficou no ar e sem resposta: “O que a prefeitura de Anitápolis vai fazer depois disso?”.

O “depois disso” é o fim do prazo de concessão para explorar a mina do produto – 33 anos, conforme o projeto. Passado este tempo, todo o território hoje de propriedade das multinacionais Bunge e Yara, donas da IFC, volta a ser responsabilidade do município. A pergunta, feita pelo advogado da ONG Montanha Viva, de Anitápolis, Eduardo Lima, fez com que todos engolissem a seco.

A audiência de ontem cumpre um extenso cronograma de reuniões públicas para discutir a mineração de fosfato na serra. Quem é contra defende que o empreendimento coloca em risco todas as cidades da Amurel e adjacências, como Orleans e Lauro Müller.

Além do fato da IFC pleitear uma atividade mineradora de alto risco ambiental, o território demarcado fica em uma região de Mata Atlântica protegida por lei.
O palestrante e presidente da ONG Montanha Viva, Jorge Albuquerque, avisa que um simples vazamento da mina pode contaminar uma grande quantidade de água com uma substância tóxica conhecida como selênio, o que coloca tanto o meio ambiente quanto vidas humanas em risco.

A licença ambiental de instalação à IFC já foi concedida pela Fatma. Porém, todo o processo está paralisado desde que a justiça deu parecer favorável a ação proposta pela ONG, sob a argumentação de que há graves equívocos no relatório de impacto ambiental e contradições com a legislação vigente.