Wagner da Silva
Florianópolis

As informações sobre a instalação da Indústria de Fosfatados Catarinense (IFC), em Anitápolis, cujo tema norteará a audiência pública programada para ocorrer em Braço do Norte, também pautaram o encontro ocorrido ontem, na assembleia legislativa, em Florianópolis. Representantes de entidades sociais, ambientais, universitárias e políticas, além de moradores da região de Anitápolis, definiram a organização de um Grupo Gestor e a criação do Comitê Rio dos Pinheiros, cujos membros trabalharão em parceria com a ONG Montanha Viva.

Além dos possíveis riscos da atividade no município serrano e as implicações sociais e ambientais com a instalação da indústria, a moradora de Anitápolis Rosemari Pozzi Griggs levantou outra realidade aos presentes. Segundo ela, há algum tempo é estudada a possibilidade dos municípios da serra geral tornarem-se referência no turismo de inverno. “Todo este movimento implodiu com a possibilidade de investimentos na exploração. As terras começaram a desvalorizar”, apontou a moradora.

O vereador de Tubarão Haroldo Silva (PSDB), o Dura, afirma estar decepcionado com as autoridades políticas. A maioria ainda não se posicionou sobre o assunto. “Isso não pode ocorrer. Prefeitos e vereadores da região têm que ter postura, sair de cima do muro”, disparou. O parlamentar braçonortense Cleber Manoel da Silva (PP) enfatizou que toda a força para o movimento contrário à IFC tem como base o debate claro, algo que não ocorre pela falta de informações. “Há dificuldade em obter respostas, seja para documentação, seja para marcar nova audiência. Por isso, é importante o engajamento de mais pessoas”, avaliou.

Ministério Público Federal
Após o encontro na assembleia, membros do Comitê Rio dos Pinheiros reuniram-se com deputados e também com a promotora do Ministério Público Federal (MPF), Ana Lucia Hartmann. Ela é responsável pelo parecer sobre a ação impetrada pela ONG Montanha Viva contra a Indústria de Fosfatados Catarinense (IFC). O intuito foi buscar orientações legais para agir contra o empreendimento e também saber do encaminhamento do processo. Conforme a promotora, a ação está em análise final, falta apenas ajustar algumas questões referentes à Fatma.

Questionamentos do comitê são respondidos

O encontro entre representantes da Indústria de Fosfatados Catarinense (IFC) e do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Tubarão e Complexo Lagunar foi bastante produtivo. O engenheiro e gerente de projetos da IFC, Frederico Goldmann, e o responsável pelo meio ambiente da empresa, engenheiro Adriano Pereira, responderam a todas os questionamentos da equipe do comitê.

Apesar de ser de responsabilidade da Fatma fornecer documentos como o Estudo e Relatório de Impactos Ambientais (EIA|Rima), os engenheiros da empresa disponibilizaram todos os 18 volumes e mais de 3,5 mil páginas do processo analisado na época da liberação das licenças provisórias pela Fatma.
Os próximos esclarecimentos, explica o assessor de imprensa da empresa, Marcus Aurélio de Castro, serão fornecidos durante a visita ao local onde será instalada a mina. A data ainda não está confirmada.

IFC fala do projeto
A Indústria de Fosfatados Catarinense (IFC) efetivou o processo de implantação da empresa em 2005. Conforme o engenheiro sanitarista e ambiental e responsável pelo meio ambiente neste projeto da IFC, Adriano Pina Pereira, foram feitas mais de 20 mil horas de trabalho de pesquisa, que renderam três mil páginas, onde são respondidos os questionamentos e as necessidades apontadas pela Fatma.

O responsável pelas análises e monitoramentos dos recursos hídricos da IFC, Carlos Tussi, explica que haverá nove pontos de monitoramento ao longo do Rio dos Pinheiros e confluentes, o que evitará riscos de poluição. “Além de atender o determinado pela Fatma, o declive acentuado do rio mantém o fluxo de água rápido. O abastecimento nos municípios não ficará comprometido”, garante Tussi. Já o gerente de projetos da IFC, Frederico Goldmann, destaca que a produção de orgânicos não será afeta.