Desde que foi diagnosticada com leucemia mieloide aguda, uma doença rara, em 2018, a vida de Nicoli Pereira de Oliveira e de sua família se transformou em uma grande batalha. São dois anos de sofrimento – sim, isso seria impossível -, mas com muita coragem, persistência, esperança e, sobretudo, amor.

Certamente, sem isso tudo, não haveria força para a luta constante que a família enfrenta nesse período. A pequena, que completa 14 anos hoje (30), nascida em Içara, está há quatro meses internada no Hospital Infantil Joana de Gusmão, em Florianópolis.

Nicole está em uma corrida contra o tempo para encontrar um doador de medula óssea 100% compatível. Hoje, a menina faz blocos de quimioterapia. No entanto, a programação dos médicos é iniciar em julho uma quimioterapia mais forte para, posteriormente, realizar o transplante de medula, que ainda necessita de um doador.

Sua rotina envolve cansativas sessões. “Desistir jamais. Já passei por tanto, o que mais quero é melhorar, buscar minha tão sonhada cura por meio de um transplante”, declara Nicole. Seu depoimento dá uma lição de vida!

“Depois deste tratamento, Nicole não poderá mais fazer quimioterapia pesada devido à infecção no coração. Ela pode não aguentar. Os médicos tentam manter a doença em remissão. Nossa esperança é encontrar alguém 100% compatível, senão será o meu marido o doador, mas com 50% de compatibilidade. Nossa menina não pode esperar mais”, desabafa sua mãe Eliana.

Família não têm condições de arcar com gastos; solidariedade é fundamental
Nesse caminho árduo, muitas pessoas abraçaram a causa por Nicole. Os pais não têm condições de arcar com os gastos financeiros e passam necessidade para conseguir custear o tratamento.

Eliana precisou sair do trabalho para cuidar da menina e o pai faz trabalhos como servente de pedreiro. A família residia em Cocal do Sul, mas teve que se mudar para Florianópolis, onde pagam aluguel.

A luta é diária e, agora, mais do que nunca. Nicole precisa da oração e solidariedade das pessoas. Nesta semana, amigos e parentes voltaram a se unir para mais uma campanha beneficente em prol de Nicole.

As ações ocorrem por meio de uma vakinha online (http://vaka.me/1080426), caixinhas solidárias no comércio em Cocal do Sul e uma live que será realizada no dia 17 de julho, às 20h, com a Banda Back Over.

O objetivo é levantar recursos para ajudar a família com os gastos de aluguel, alimentação, água, energia, entre outros. Ainda não é possível saber se o transplante será feito em Porto Alegre (RS), Curitiba (PR) ou São Paulo (SP). Assim que a doação tão esperada acontecer, a família terá que morar entre seis e oito meses em uma dessas cidades.

“Estamos direto na luta, somos muito gratos a todas as pessoas que nos estendem as mãos”
Eliane, entre lágrimas, agradece pela filha que tem e acredita que a garota vai vencer. Fé é algo cultivado todos os dias.

“Estamos direto na luta. Somos muito gratos a todas as pessoas que nos estendem as mãos. Que Deus dê tudo em dobro a cada um. Qualquer valor que entrar vai ajudar no tratamento e nas despesas. A gente corre de um lado para o outro para ela não fazer quimioterapia, mas não tivemos sucesso. Somente um transplante vai curar a minha filha e creio que vai aparecer um doador, em nome de Jesus”.

A menina que se despediu de seus cachinhos dourados pretendia doá-los
Eliane conta que sua filha é muito querida e não reclama de nada. “Para ela está tudo bem, mesmo no sofrimento. Minha filha tem um propósito. Antes de descobrirmos a doença, disse que deixaria o cabelo crescer para doar às crianças com câncer. Depois disso, descobrimos que estava com leucemia. Isso me chocou. É muito doído, não desejo para ninguém”.

“O que estamos passando é muito difícil, mas temos que ter fé em Deus e seguir em frente. Ele está no comando. Me deu a Nicole e agora eu a entreguei para Deus. Sei que ele está cuidando e vai curá-la”, emociona-se Eliane.

O início de tudo e a incansável persistência
O tratamento da Nicole iniciou no Hospital São José, em Criciúma, em 2018. Foram quatro sessões de quimioterapia, mas a garota não reagiu bem, não estava dando certo.
Até que a família, com medo de perdê-la e na tentativa de procurar vários recursos, buscou um tratamento alternativo, com remédios naturais, no ano passado. Com a solidariedade das pessoas, Nicole conseguiu ficar quatro meses no Peru e retornou no dia 29 de setembro do ano passado.

A mãe relata que, de volta ao Brasil, a menina piorou. “Foi logo depois que a avó faleceu, também com leucemia. Não sei se isso mexeu com ela, mas logo em seguida começou a passar mal. Bolas pelo corpo, no pescoço, principalmente febre alta. Mal conseguia abrir a boca para comer por causa das glândulas. Nicole foi levada para Florianópolis, onde começou a fazer a quimioterapia mais pesada para diminuir os nódulos no pescoço. Para nossa tristeza, a doença reincidiu. Foram meses de internação, cirurgia no coração, apêndice e muitas idas e vindas na UTI”.

Família pede que as pessoas façam a doação
A família da Nicole conta com a solidariedade para encontrar um doador 100% compatível. Eliana pede encarecidamente para que as pessoas façam o cadastro de medula óssea no Hemosc. “Se cada um se dispuser a ir no Hemosc e fazer o seu cadastro, as chances de vida da Nicole só aumentam”.

A maior dificuldade encontrada para a realização do transplante é a compatibilidade. A chance de encontrar uma medula compatível pode chegar em um paciente para 100 mil doadores cadastrados. Todas as informações podem ser obtidas no órgão.

A doença
A leucemia mieloide aguda (LMA) é um tipo de câncer que pode acontecer em qualquer idade, mas as pessoas com mais de 65 anos são as que mais recebem o diagnóstico. Ela não é hereditária, mas ainda não se sabe o porquê de seu surgimento.

Sua principal característica é a super produção de células imaturas (que acabaram de nascer), também conhecidas por blastos (tipos de glóbulos brancos, responsáveis por combater as infecções). Elas passam a se desenvolver de forma descontrolada e param de desempenhar sua função, a de proteger o organismo contra as bactérias, vírus.

Em grande quantidade na medula óssea, bloqueiam a formação dos demais componentes do sangue (glóbulos vermelhos, responsáveis pela oxigenação do corpo, e plaquetas, que impedem as hemorragias). Por isso, sangramentos persistentes podem ser um sintoma comum.
Por ser uma leucemia aguda, apresenta rápido desenvolvimento, o que torna extremamente importante dar início ao tratamento o quanto antes. Os tratamentos incluem quimioterapia, outras terapias medicamentosas e transplantes de células-tronco.

Estatísticas
Segundo o Instituto de Câncer (INCA) estima-se que para cada ano do triênio 2020/2022 sejam diagnosticados no Brasil 5.920 casos novos de leucemia em homens e 4.890 em mulheres. Esses valores correspondem a um risco estimado de 5,67 casos novos a cada 10 mil homens e 4,56 para cada 100 mil mulheres. A leucemia mieloide aguda é um dos tipos mais comuns de leucemia em adultos. Ainda assim, de forma geral, é bastante rara, representando cerca de 1% de todos os cânceres.

Doação bancária
Para quem preferir colaborar com depósitos pode fazer a doação:
Caixa Econômica Federal – Agência 4924
Conta: 013 00005578-2 – Eliane Pereira
CPF: 496.333.259-00.