Ainda constipada pelos sintomas do coronavírus, a Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, fechou em queda de 2,3% nesta quinta-feira, 27 — inferior, evidentemente, do que a queda de 7% colhida no pregão da quarta-feira, 26, mas, ainda sim, significativa. O pregão encerrou aos 102.983 pontos, o menor patamar desde 10 de outubro de 2019. Durante o pregão, porém, chegou a parecer que o clima de pânico registrado na quarta-feira de Cinzas havia virado história de Carnaval, quando a bolsa chegou a flertar com uma tímida alta de décimos percentuais. Não se sustentou. As ações de companhias aéreas, cujos balanços serão intimamente afetados pela epidemia, aliadas ao péssimo resultado registrado pela Ambev (−8,34%) no quarto trimestre, acometeram os investidores.

O cenário externo, é claro, também não ajudou. As principais bolsas do mundo registraram recuos durante o pregão desta quinta-feira, ainda afetadas pelas incertezas envolvendo a disseminação da doença. A consultoria Eleven Financial projeta perdas para a bolsa americana entre 10% a 14% até o fim do ano, apesar da recomendação de analistas que o momento é de manter a calma. O Índice Dow Jones registrou queda de 4,4% ao encerramento do pregão, enquanto as principais bolsas europeias também colheram perdas. A Bolsa de Milão, a principal da Itália, que vem vivendo o inferno em relação ao coronavírus, recuou novamente, desta vez 2,66%.

O dólar, por sua vez, continuou subindo, e fechou o dia em alta de 0,7%, em sua sétima alta seguida. Encerrou o dia valendo 4,47 reais. Novo recorde nominal. Ao longo do pregão, a moeda americana chegou a 4,50 reais, mas recuou diante dos leilões de dólares feito pelo Banco Central (BC). A autoridade monetária realizou ofertas de contratos de swap cambial reverso, uma espécie de venda de moedas em valores no futuro, e arrefeceu a agressividade da moeda americana. As perspectivas, como explica VEJA em artigo publicado nesta quinta, não são as melhores. A tendência da moeda é de alta, assim como as incertezas envolvendo o novo coronavírus. O remédio, por sua vez, digamos, paliativo e de uso contínuo: a responsabilidade com as contas públicas.