Os diretores dos hospitais filantrópicos e santas casas da macrorregião Sul estão preocupados com a possível aprovação do PL 2564/2020, que prevê aumento do piso salarial da categoria de enfermeiros e técnicos. Com o acréscimo, estima-se um impacto de até R$ 6,3 bilhões para o segmento. Em uma coletiva de imprensa realizada na tarde de ontem, na Associação Empresarial de Criciúma (Acic), os administradores dos hospitais sem fins lucrativos alegaram não ter condições de arcar com os novos valores.

Estiveram na reunião representantes dos hospitais filantrópicos de Criciúma, Içara, Turvo, Morro da Fumaça, Jacinto Machado, Praia Grande, Meleiro, Braço do Norte, Orleans e Laguna, além da Confederação das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos (CMB) e Federação das Santas Casas, Hospitais e Entidades Filantrópicas do Estado de Santa Catarina (FEOHSC). A reclamação principal é a defasagem nos valores da tabela via Sistema Único de Saúde (SUS), que não é reajustada há 20 anos.

Conforme a CMB, em 824 municípios do Brasil, os hospitais filantrópicos são os únicos que dão acesso à saúde à população, com uma representatividade ao SUS nacional de 70% do volume assistencial da alta complexidade e 51% da média complexidade. As Santas Casas dispõem de 169 mil leitos hospitalares e 26 mil leitos de UTI e anualmente faz mais de 5 milhões de internações, 1,7 milhão de cirurgias e ultrapassa 280 milhões de atendimentos ambulatoriais.

“Nós não somos contra a questão da remuneração da enfermagem. Conhecemos o trabalho das equipes, mas precisamos que os governos, deputados e senadores nos sinalizem para saber de onde os hospitais irão tirar recursos”, exclamou Evandro Pinho, diretor do Hospital São Sebastião em Turvo, e secretário geral da (FEOHSC). A defasagem dos procedimentos entre os custos dos procedimentos e o valor pago pela tabela do SUS já vem trazendo déficit orçamentário.

O PL, criado pela deputada federal Carmem Zanotto (Cidadania/SC) estima o piso salarial dos enfermeiros em R$ 4.750,00 e dos técnicos de enfermagem em R$ 3.325,00. Estima-se que a votação seja feita dentro dos próximos dias, já que o requerimento de urgência para os votos foi aprovado, por 458 a 10. O projeto foi acatado no Senado e encaminhado à Câmara em março.

 

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Fonte: TNSul