Tubarão

Nesta terça-feira, dia 4, instituições de saúde lembram o Dia Mundial do Câncer, uma iniciativa global da União Internacional para o Controle do Câncer (UICC) e a Organização Mundial da Saúde (OMS). A data foi criada no ano de 2000, e tem o objetivo de aumentar a conscientização sobre a doença e incentivar governos a controlar os números da patologia, que é a segunda principal causa de morte em todo o mundo.

Em média, 9,6 milhões de pessoas morrem de câncer todos os anos, mas estima-se que um terço desses casos são evitáveis. Ou seja, mais de 3 milhões de vidas poderiam ser salvas anualmente se fossem implementadas estratégias adequadas de prevenção, detecção precoce e tratamento.

O Hospital Nossa Senhora da Conceição (HNSC), de Tubarão, é credenciado pelo Ministério da Saúde como Unidade de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia, e conta com um corpo clínico de especialistas que realizam atendimentos, exames, internações e cirurgias para tratar o câncer. 

Para 2020, o HNSC solicitou na repactuação com o Sistema Único de Saúde (SUS) um acréscimo de 43% na oferta de consultas em oncologia, a fim de aumentar o acesso a essa especialidade para cidadãos dos 18 municípios da Amurel, em Santa Catarina.

Pacientes SUS agora podem fazer quimioterapia em casa

Rone Maria dos Santos, de 49 anos, descobriu no final de 2019 que tinha câncer de estômago. Ele deu entrada às pressas na emergência do HNSC com fortes dores abdominais, foi diagnosticado pela equipe de oncologia e encaminhado para iniciar a quimioterapia. O tratamento precisaria ser administrado por cinco dias contínuos, mas o paciente não ficou internado durante esse período. Isso por causa da bomba de infusão elastomérica, um aparelho portátil para quimioterapia domiciliar que permitiu que Rone recebesse o tratamento em casa.

O infusor é uma novidade para pacientes do SUS, e desde que esse serviço foi implementado no HNSC, no final do ano passado, uma média de 60 pacientes por mês já utilizam a bomba domiciliar gratuitamente. Ela fica na cintura do paciente e é conectada a um cateter debaixo da pele, dando mais autonomia e liberdade de movimentos ao paciente.

“Eu moro em Laguna e tenho só minha filha para cuidar de mim, por isso é essencial estar ao lado dela. Esse serviço facilita não apenas a quimioterapia, mas reduz os deslocamentos ao hospital para quem é de outra cidade”, avalia Rone. 

Outro paciente oncológico do HNSC, Manoel Miguel, de Braço do Norte, já precisou fazer a quimioterapia internado, dois anos atrás, quando enfrentava outro câncer. Agora em nova batalha, ele utiliza a bomba domiciliar. “Me sinto melhor e com menos efeitos colaterais, porque posso estar no convívio familiar sem que as pessoas precisem se deslocar pra me acompanhar no hospital. Também tenho mais mobilidade e continuo realizando minhas pequenas tarefas”, afirma Miguel.

Segundo a responsável técnica pela Oncologia do Hospital Nossa Senhora da Conceição, Dra. Aline de Souza Rosa da Silva, outra vantagem dessa técnica é que os leitos de internação ficam livres para atender outras situações emergenciais. “O infusor foi um grande ganho para quem faz tratamento pelo SUS e precisa de medicação prolongada. O paciente recebe o mesmo tratamento que faria internado, as mesmas doses e tempo de infusão, mas pode fazê-lo com mais tranquilidade e confiança”, explica a especialista.