Uma iniciativa para aumentar a representatividade negra na política de Santa Catarina foi lançada nesta semana na região e no Estado. A ação é do grupo Rede Novo Impulso e a campanha é suprapartidária. O intuito é  apoiar  pré-candidaturas de negros (a) à Assembleia Legislativa, à Câmara dos Deputados e ao Senado Federal, além do governo do Estado, por exemplo.
Segundo o presidente da Rede Novo Impulso, Paulo César Lopes, os negros representam cerca de 60% da população brasileira, no entanto, a representatividade é de apenas 27% no Congresso Nacional, em Brasília, no Distrito Federal. Esse número é representado no Estado por apenas um 1% na Assembleia Legislativa de Santa Catarina.
O intuito é divulgar a iniciativa em um primeiro momento pela imprensa da região e posteriormente dialogar com os partidos políticos por meio de videoconferência. “Queremos discutir com os partidos o incentivo de candidaturas negras nas mais diversas siglas. Toda sociedade deve se envolver para acabar com essa situação. Precisamos fazer algo para mudar esse cenário e propor leis para melhorar a situação dos afrodescendentes”, pontua.
Em 2020 a população negra aumentou a sua participação no comando das prefeituras e no número de cadeiras nas câmaras de vereadores, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Na época dos mais de 5,4 mil prefeitos eleitos, aproximadamente 1,7 mil candidatos se declararam pretos ou pardos, o que corresponde a 32% do total. O número é considerado superior a 2016, quando 29% dos candidatos eleitos eram negros segundo a classificação do IBGE.
Se os negros conseguiram um avanço de representatividade nas eleições deste ano, a proporção é ainda distante dos 56% que esse grupo representa na população brasileira e que evidencia que eles seguem sub-representados na política. De acordo com a cientista política Nailah Neves Veleci houve um avanço qualitativo nas câmaras e prefeituras com a eleição de  mulheres, e representantes negro.
Ela destaca que a sub-representação do negro é resultado do racismo estrutural. Nailah afirma que é preciso avançar em uma reforma política eleitoral que derrube esse projeto de negação da cidadania plena dos negros no Brasil. “O racismo estrutural está presente na formação do país e é perpetuado institucionalmente pela elite política que é branca e segue um pacto narcísico de negação do racismo. A sub-representação negra na política é um projeto do racismo e do colonialismo, enquanto não discutimos o racismo como estrutural e estruturante de toda a vida da população brasileira, enquanto continuarmos negando ou menosprezando o peso do racismo nas instituições, esse cenário não mudará. Precisamos de uma reforma eleitoral e política que não negue o racismo estrutural. Precisamos de uma educação que não negue a contribuição intelectual e política dos negros. Precisamos de uma mídia que não perpetue estereótipos racistas. De modo geral, precisamos ouvir o que o movimento negro vem denunciando a décadas”, observa.

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Com informações do Senado