Sambaqui de Garopaba do Sul é um dos mais conhecidos  -  Foto: Divulgação/Notisul
Sambaqui de Garopaba do Sul é um dos mais conhecidos - Foto: Divulgação/Notisul

Jaguaruna/Laguna

O projeto Sambaquis e Paisagem, desenvolvido desde 1998 pelo Grupo de Pesquisa em Educação Patrimonial e Arqueologia da Unisul (Grupep), já mapeou até agora mais de 120 sambaquis e datou aproximadamente 100 na região de Jaguaruna. Descobriu-se que povos canoeiros utilizaram a lagoa como local de trabalho e integração de sua sociedade.

De acordo com a coordenadora do Grupep/Arqueologia, a professora doutora Deisi Scunderlick Eloy de Farias, os sambaquieiros eram pescadores caçadores e coletores, mas ainda não se sabe a que grupo eles pertenciam. “Eram povos muito antigos que sumiram antes do contato com o europeu”, explica a professora.

Depois de 12 anos de pesquisa com sambaquis, o grupo resolveu aprofundar seus estudos e passou a mapear e escavar os sítios Jê e Guarani. “Foi fundamental para entender o processo de ocupação da região, que começou com os sambaquieiros, chegando após cinco mil anos os Jê. E 300 anos antes da chegada dos europeus vieram os Guarani, que foram os últimos a chegar na nossa região e pegaram um ambiente já bastante alterado pelo povos que os precederam”, conta Deisi.

O projeto Paisagem e Complexidade Social Jê na Mata Atlântica de Santa Catarina – Brasil, desenvolvido pelo Grupep em parceria com outras instituições de ensino, articula-se com outro, de cooperação internacional.

O objetivo é compreender a história de longa duração da interação dos povos Jê do Sul com os diferentes ecossistemas do Bioma da Mata Atlântica no Estado, desde o litoral, passando pela encosta da serra, subindo o planalto, e chegando até o extremo oeste de Santa Catarina, entrando em território Argentino.

Laguna e Jaguaruna estão entre os locais pesquisados

No litoral, a investigação ocorre em Laguna e Jaguaruna, onde são escavados sítios arqueológicos vinculados aos grupos Jê do Sul. Em Jaguaruna ocorre nos sítios nas localidades de Morro Azul, Arroio Corrente e Campo Bom, que apresentaram importantes vestígios, tanto de artefatos quanto de elementos estruturais como vestígios alimentares envolvendo fauna e flora pré-histórica.

Outra área investigada é a encosta, onde foram feitos levantamentos arqueológicos em diferentes compartimentos geomorfológicos a fim de identificar sítios arqueológicos que continham elementos da cultura Jê. Foram mapeados casas subterrâneas em Tubarão, na localidade do Caruru, em Braço do Norte, Santa Rosa de Lima, Rio Fortuna e Armazém.

Entre em nosso canal do Telegram e receba informações diárias, inclusive aos finais de semana. Acesse o link e fique por dentro: https://t.me/portalnotisul

Foto: Alexandro Demathe