Zahyra Mattar
Tubarão

Desde abril, quando começou a difusão da epidemia da nova gripe no mundo, as informações foram tantas que se criou uma espécie de “pandemia”. Como pega? Gripe A mata? Quais os sintomas? As perguntas são tantas quanto o medo das pessoas em relação à nova influenza. Redundantemente, o medo do novo, do desconhecido projeta situações desnecessárias e, em alguns casos, discriminatórias. Um cidadão acometido pela gripe A não está com uma doença altamente fatal.

Primeiro: a gripe A leva à morte? Sim. Mas, na maioria dos casos, o reestabelecimento é de 100%. Assim como ocorre com a gripe comum, há tratamento, há cura. O fato do vírus ser novo não indica sinônimo de morte. Segundo: alguém que tem ou teve gripe A não pode ser execrado em praça pública. A facilidade de transmissão (os sintomas e a forma de contágio são os mesmos que na gripe comum – veja no quadro ao lado) não pode levar a pontuar alguém como o “vetor da contaminação”.

De 24 de abril até agora, Santa Catarina registrou 56 casos confirmados da doença. Todas as pessoas passam bem. A grande maioria já teve a cura plena. Na região sul catarinense, dos 19 suspeito de terem influenza A, apenas seis foram confirmados (veja em quais cidades no quadro ao lado). Desde a última sexta-feira, nenhum novo registro foi feito na Amurel, no sul catarinense ou mesmo no estado.
Mesmo com o controle da doença e um trabalho de prevenção disciplinar, há quem demonstre pânico. “Não há motivo para desespero. As pessoas que acreditam estar com o vírus devem apenas procurar o serviço público de saúde. As informações são investigadas imediata e rapidamente. Temos alguns casos, sim, mas todos foram importados. O trabalho preventivo surte efeito positivo”, garante a coordenadora do programa de imunização da 20ª gerência de saúde em Tubarão, Ingrid Laura Bitencourt.

O que são casos suspeitos?
São considerados casos suspeitos apenas as pessoas que retornaram de países considerados endêmicos (por exemplo: EUA, Chile e Argentina) ou mantiverem contato muito próximo de pessoas que retornaram de lugares onde há epidemia sustentada.

Prevenção à gripe A no estado
concentra-se em grupo de risco/

Novas diretrizes serão adotadas no combate à gripe A em Santa Catarina. Durante uma reunião entre representantes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola (Cidasc) e Defesa Civil, ontem, ficou definido que as atenções serão voltadas agora para o grupo de risco, formado por crianças menores de 2 anos, pessoas acima de 60 anos, gestantes e pessoas com doenças graves (câncer, diabetes, Aids, renal crônica e doenças cardíacas ou pulmonares).

Estes casos continuarão a ser monitorados pela Vigilância Epidemiológica. Os demais devem buscar atendimento nos postos de saúde ou com médicos de confiança (veja onde buscar ajuda na Amurel no quadro abaixo). Dentro das estratégias de controle, novos planos podem ser colocados em prática. Se houver um aumento considerável de infectados pela gripe A em empresas ou escolas, a Defesa Civil será acionada para interditar os locais e definir ações de combate à proliferação da doença.