Conforme os representantes dos movimentos sindicais, sociais e religiosos, desta forma, eles estarão atuando unidos para impedir os retrocessos propostos por Michel Temer e votados no Congresso em regime de urgência, como a liberalização da terceirização e agora a Reforma Trabalhista, além da terceirização

Jailson Vieira
Tubarão

Não são apenas os trabalhadores das centrais sindicais que devem paralisar as atividades, em decorrência da greve geral, que ocorrerá em todo o país amanhã. Mas milhares de pessoas que trabalham em diversos setores da sociedade: movimentos sociais, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e igrejas de várias denominações. Durante toda a semana assembleias vêm referendando a construção do movimento, a qual tem por objetivo lutar contra as reformas propostas pelo presidente Michel Temer (PMDB).

Na tarde desta quarta-feira (26), representantes de algumas das categorias que aderiram à paralisação (até no início da noite de quarta eram 21 representações), se reuniram no Sindicato dos Professores e Auxiliares de Administração Escolar de Tubarão (Sinpaaet), no bairro Dehon, para discutir as ações e explicar à imprensa as causas do movimento. Conforme a presidente do Sinpaaet, Gisele Vargas, a reforma Trabalhista não rasga a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), mas reescreve. “Com o negociado sobre o legislado, o empregado estará vulnerável. Não terão parâmetros, os direitos serão reduzidos. Todos ficarão a mercê das negociações do ponto de vista do empregador”, explica a presidente.

De acordo com os manifestantes as reformas devem ser extintas. Eles alegam que a reforma da Previdência, por exemplo, é um desmonte da Previdência pública, além disso, ela não é deficitária como o governo afirma. “Quem ganhará com essas medidas são os banqueiros. A previdência não está quebrada, o que quebra um país é a precarização do trabalho, a falta de competitividade e a má distribuição de renda. O governo e seus aliados não discutiram a medida com a sociedade. Eles querem impor”, asseguram os lideres.

Segundo os grevistas em nenhum momento os políticos respeitaram a vontade do povo, pois se assim o fizessem elas não tramitariam no congresso nacional. Recentemente foi realizada uma pesquisa pela Vox Populi, entre os dias 6 e 10 deste mês, o que deu conta que 93% da população reprovam a reforma da Previdência. “Aquilo que construímos em décadas esse governo destruirá em meses”, lamentam os trabalhadores.

“Aqueles que bateram panela também são convidados a juntarem-se a nós”

Os representantes de movimentos sindicais, sociais e das igrejas salientaram que a greve é geral e não há políticos para defenderem, mas os trabalhadores e a sociedade brasileira. “Estão querendo distorcer o movimento, não estamos nesta luta para defender políticos e sim para lutar pelos nossos direitos. Não há direita ou esquerda há uma batalha para não sermos roubados”, garantiram.

Eles destacam que se a reforma Trabalhista passar, em breve será possível uma disputa entre avós, filhos e netos por uma vaga no mercado de trabalho. “A violência vai aumentar drasticamente, se já estamos vivendo tempos difíceis à situação deverá piorar. São muitos retrocessos, além de que no futuro as empresas terão mão-de-obra cansada, uma vez que a expectativa de vida cresce o tempo de trabalho também aumenta”, destacam.

Os manifestantes lembraram que todos estão convidados a participarem do movimento, estudantes, donas de casas e trabalhadores em geral. “As pessoas que foram às ruas e bateram panelas em outras manifestações também podem juntar-se a nós. Agora é a hora de bater panelas, não podemos sofrer um novo golpe como o do ano passado”, enfatizam.

Em Tubarão o movimento terá início a partir das 6h30min, e seguirá por todo o dia. Todas as cidades da região terão alguma manifestação durante o dia. O aconselhado é que as pessoas continuem em seus municípios e lá promovam alguma ação para o dia. As escolas municipais e estaduais, agências bancárias e INSS também devem ficar fechadas. Milhares de manifestantes são esperados na Cidade Azul.

Bispos de Tubarão, Caçador e Chapecó convocam fiéis para a greve

Em nota, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), colocou que as reformas propostas escolhem o caminho da exclusão social e que todo o cristão e pessoas de boa vontade, particularmente as comunidades, devem se mobilizar a fim de buscar o melhor para o povo, em especial os mais fragilizados.

Em sintonia com o momento atual, Dom João Francisco Salm, bispo de Tubarão, Dom Odelir José Magri, bispo de Chapecó e Dom Frei Severino Clasen, bispo de Caçador, gravaram vídeos convocando o povo para a reflexão sobre a atual conjuntura e a participação nos atos propostos na Greve Geral. Para Dom João Francisco Salm, é indispensável neste momento um amplo diálogo do governo com todas as instâncias da vida social e da defesa dos mais pobres. “Não se trata simplesmente de uma opção político partidária, é a consciência cristã que se inquieta e não cala”, observou o bispo.

Dom Odelir Magri, além de convocar os fiéis para os atos, destacou os pontos em que a Igreja se coloca contrária no contexto de reformas apresentadas pelo governo. “Vamos juntos lutar em defesa da vida, em defesa dos direitos já adquiridos e do uso correto dos bens públicos e, sobretudo, do dinheiro público. Vamos lutar por outro Brasil possível. Por outro Brasil melhor, mais justo, mais digno e mais fraterno”, posicionou o bispo.

Para Dom Frei Severino Clasen, a população precisa reagir para que não seja ainda mais prejudicada pelo atual governo. “O dia 28 de abril também deve ser o grito para que seja esclarecido o que de fato está acontecendo para que amanhã não seja tarde demais” destacou.

55ª Assembleia Geral da CNBB

Nesta quarta-feira (26) durante a cerimônia de abertura da 55ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, o presidente da instituição, Cardeal Sergio da Rocha, salientou que a solicitude do episcopado brasileiro não se restringe à vida interna da Igreja, mas se estende à vida social do país, nos seus aspectos políticos, econômicos e cultural. “Neste ano em que celebramos os dez anos da Conferência de Aparecida, que esta assembleia nos ajude a redobrar o empenho para sermos uma Igreja de discípulos missionários de Jesus Cristo para que Nele, nossos povos tenham vida, para que Nele, o nosso povo brasileiro tenha vida neste tempo tão desafiador de crise política e econômica’, afirmou o cardeal, recordando o contexto por que passa o país.

Aeroportos aderem à greve

Os aeroviários dos principais aeroportos brasileiros devem paralisar as suas atividades nesta sexta-feira (28) em adesão à greve geral convocada pelas centrais sindicais e pelas Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo contra a reforma da Previdência e mudanças na legislação trabalhista propostas pelo governo Michel Temer. Várias categorias em todo o país já confirmaram a adesão à greve. Os aeroviários são responsáveis pelos serviços de contato direto com os usuários, como os que trabalham no setor de informações, no check-in das companhias aéreas, no embarque e desembarque de passageiros. Transporte público também poderá ser afetado na região e em  todo o estado de Santa Catarina.

Principais pontos do parecer:

  • As férias poderão ser parceladas em três vezes ao longo do ano; A contribuição sindical, hoje obrigatória, passa a ser opcional;
  • Patrões e empregados podem negociar, por exemplo, jornada de trabalho e criação de banco de horas;
  • Haverá multa de R$ 3 mil por cada trabalhador não registrado. No caso de micro e pequenas empresas, o valor cai para R$ 800,00. O trabalho em casa (home office) entra na legislação e terá regras específicas, como reembolso por despesas do empregado;
  • Juízes poderão dar multa a quem agir com má-fé em processos trabalhistas;
  • Gestante pode trabalhar em ambiente insalubre desde que apresente atestado médico comprovando que não há risco para ela ou o feto.