Professores marcharam pelas ruas de Florianópolis para reivindicar melhores condições e salários
Professores marcharam pelas ruas de Florianópolis para reivindicar melhores condições e salários

 

Karen Novochadlo
Tubarão
 
A greve dos professores estaduais continua. Apesar de 17 das 30 regionais terem votado pela volta às salas de aula, a maioria dos professores que participaram da assembleia estadual, ontem, em Florianópolis, optou pela manutenção da paralisação. 
 
Mas a tendência é que o movimento sindical enfraqueça nos próximos dias. A classe mostrou que está dividida. Cerca de quatro mil professores participaram – na última assembleia, a participação havia sido o dobro. 
 
Hoje, as regionais do Sindicato dos Trabalhadores em Educação (Sinte) começam os trabalhos de fortalecimento do movimento. Os representantes de cada regional tentarão fortalecer o apoio dos professores, para que não voltem às aulas. 
A principal reivindicação dos professores é a aplicação do piso nacional (R$ 1.187,00) na carreira. “Nós pedimos que o governo apresente a tabela salarial, com todos os percentuais”, reforça a representante da regional de Tubarão no estado, Tânia Fogaça. Hoje, a greve chega a 51 dias, uma das maiores paralisações do estado. Os alunos já estão prejudicados quanto à reposição do conteúdo. 
 
Na última proposta, o governo ofereceu pagar a partir do próximo mês valores de 30% e 20% de regência de classe. E, a partir do próximo ano, o valor voltaria para 40% e 25%, o pago atualmente.
 
Novo projeto de lei é enviado à assembleia legislativa
Será encaminhada à assembleia legislativa um novo projeto de lei complementar que propõe o pagamento do piso e a reestruturação da regência de classe a partir do próximo mês. O projeto é de origem do poder executivo. O projeto é baseado na última proposta apresentada ao Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Santa Catarina (Sinte). 
 
De acordo com o governador Raimundo Colombo, a decisão seria tomada em respeito aos professores que queriam voltar às aulas. A maioria das assembleias regionais havia votado a favor do fim da greve. “Quando a minoria se sobressai, a greve passa a não ter sentido e passa a ser política, com prejuízo à educação e aos alunos. Eu faço um apelo para que os professores voltem, principalmente porque fizemos a nossa parte, negociamos, deixamos o diálogo aberto”, ressaltou o governador. 
 
A proposta final propõe a formação de um grupo de trabalho para debater o plano de carreira. E também a restruturação da regência. O impacto na folha de pagamento será de R$ 27,5 milhões ao mês.
O governo já enviou outros projetos à Alesc, baseados em propostas apresentadas ao Sinte. Dois foram recusados pelos deputados estaduais. 
 
Governo perde recurso e terá que pagar os dias descontados
A suspensão de liminar pedida pelo governo estadual foi indeferido pelo desembargador Gaspar Rubick. A luta do governo era para não ser reposto o salário descontado pelos dias de paralisação da categoria. No mês passado, o Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Santa Catarina (Sinte) entrou com uma ação na justiça para reaver a quantia e pedir a legalidade da greve. O juiz Hélio Pereira havia decidido a favor dos grevistas.