Gravatal

É impressionante o poder transformador de um belo sorriso. Ele atrai olhares, abre caminhos, colore a vida e facilita o dia a dia das pessoas. E hoje é o Dia Mundial do Sorriso. Para celebrar a data, o programa Dentista do Bem, da Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip) Turma do Bem, promove a 5ª edição da megatriagem, onde adolescentes de baixa renda, entre 11 e 17 anos, terão a oportunidade de receber tratamento odontológico gratuito. A ação ocorre simultaneamente em 300 municípios do país e em outros 10 países da América Latina e Portugal.
Na região, o evento ocorre pela primeira vez em Gravatal. A ação inicia às 10h30min na Escola de Educação Básica Hercílio Bez. A coordenadora regional voluntária da Turma do Bem, a dentista Natália Rampinelli, detalha que o objetivo é identificar adolescentes de baixa renda que necessitam de tratamento odontológico e proporcionar-lhes qualidade de vida por meio do acesso à saúde bucal. “Um adolescente que não tem possibilidade de ir ao dentista e de cuidar da boca, será um adulto infeliz. Isto porque quem sente dor não estuda, não brinca, não consegue um bom emprego, não beija na boca e se afasta dos amigos. O acesso à saúde bucal de qualidade faz com que esses jovens sejam incluídos novamente na sociedade”, afirma.
A coordenadora relata que o intuito é buscar novos especialistas voluntários à ação na região para ampliar o número de beneficiados.
Em Gravatal, os dentistas Eduardo Knabben Ortellado e Leonardo Buss participam da triagem. Em Tubarão há sete dentistas integrados ao programa. Em Armazém há oito e em Braço do Norte 23. “Esse é um projeto mundial que envolve 16 mil especialistas em todo o Brasil. Sou uma das pioneiras na região em Armazém, e queremos aumentar nossa rede de voluntários, pois não há dinheiro que pague a transformação do sorriso desses adolescentes. É muito gratificante”, salienta a coordenadora regional.

A triagem
O processo é simples, rápido e não invasivo. O dentista faz um exame visual da condição bucal de cada jovem e preenche uma ficha com dados sobre a saúde bucal e a condição socioeconômica da família. Tratar dos dentes e da boca é tão necessário quanto prevenir doenças como do coração e alergias. O câncer nesta região do corpo é muito perigoso e, muitas vezes, pode ser evitado com simples higienização.

A seleção
A seleção é feita por meio da aplicação de um índice de prioridade, com problemas bucais mais graves e os mais velhos, que estão mais próximos do primeiro emprego. Cada selecionado recebe uma carta com o nome e o endereço do dentista voluntário que será responsável pelo seu tratamento. Para facilitar o acesso, a Turma do Bem encaminha o beneficiário para o consultório mais próximo da sua residência.

O tratamento
Os dentistas voluntários atendem, em seus próprios consultórios, as crianças e os adolescentes selecionados até eles completarem 18 anos. Curativo, preventivo e educativo, o tratamento é totalmente gratuito e completo, incluindo, se necessário, radiografias, ortodontia, próteses e implantes, por exemplo.

A Turma do Bem
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A Turma do Bem (www.tdb.org.br) gerencia a maior rede de voluntariado especializado do mundo, contando com 16 mil dentistas atuando em 14 países. Oferece atendimento odontológico gratuito à população de baixa renda em condição de vulnerabilidade social e com graves problemas bucais, focando-se em dois públicos principais: jovens de 11 a 17 anos e mulheres vítimas de violência doméstica. Em 15 anos, impactou quase 68 mil jovens e mais de 750 mulheres. Tem um modelo inovador de gestão, baseado no voluntariado e caracterizado pela fácil replicabilidade.

Cerca de 20 milhões nunca foram ao dentista
No Brasil, segundo o Conselho Federal de Odontologia (CFO), 20 milhões de brasileiros nunca foram ao dentista e 68% não sabem que têm direito a tratamento odontológico público. Além disso, de acordo com dados da Oral-B, o consumo médio de escova de dentes no Brasil é de 1,9 escova/ano – muito distante da recomendação de quatro escovas/ano, respeitando-se a orientação de troca a cada três meses, por questões de higiene e razões funcionais. Para a dentista Natália, esse cenário é resultado de um descaso histórico com a questão da odontologia. “As pessoas continuam sofrendo para ir ao dentista”, reforça.