Brasília (DF)

No depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Escutas Telefônicas Clandestinas da câmara dos deputados, o ministro-chefe do gabinete de segurança institucional, Jorge Félix, reiterou que não desconsidera um possível envolvimento de servidores da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) em grampos ilegais.

“Não descartamos nenhuma hipótese, nem mesmo essa. A Abin como instituição é uma coisa, mas servidores da Abin são seres humanos, sujeitos a erros e acertos”, afirmou Félix. “Temos quatro ou cinco sindicâncias que buscam caracterizar isso (envolvimento de servidores da Abin em espionagem ilegal), mas nunca conseguimos comprovar”, acrescentou.
Apesar da incapacidade de comprovar os desvios de conduta, Félix destacou que há mecanismos de segurança e contra-inteligência usados para evitar ações inadequadas.

O ministro negou-se a comentar os assuntos debatidos na reunião de ontem com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, convocada após a divulgação de uma conversa telefônica entre o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, e o senador Demóstenes Torres (DEM-GO), obtida supostamente a partir de grampo.
Segundo o ministro, a escuta ilegal, se tiver de fato ocorrido, foi realizada sem respaldo institucional. Ele inocentou o diretor-geral afastado da Abin, Paulo Lacerda.