Uma associação que atua pela garantia dos direitos humanos das mulheres em situação de prostituição arrecadou R$ 20 mil em um financiamento coletivo pela internet para realizar uma ceia de Natal no Parque da Luz, na região central da cidade de São Paulo. Neste ano, as mulheres, com idades acima dos 40 anos, vão levar para suas famílias uma cesta com alimentos e ganharam um kit com produtos de beleza.

Desde a sua formação, o coletivo Mulheres da Luz procura garantir um Natal com presentes para 200 mulheres, em sua maioria negras e pardas, provedoras de suas famílias e moradoras das periferias da capital. Em 2018, no entanto, a proposta das festas de fim de ano mudou a partir da escuta das necessidades delas.

“Costumávamos oferecer um almoço e sacolinhas com roupas e brinquedos para as crianças, mas elas pediram ajuda para, se possível, confraternizar com suas famílias. Então pensamos em oferecer uma cesta básica e um presente para cada uma por meio de um financiamento coletivo. Arrecadamos R$ 23 mil e pudemos acrescentar esta ceia, que é um lanche, na verdade”, explica Cleone Santos, uma das fundadoras do grupo. “Elas só pensam nas famílias, e por isso tivemos a ideia de pensar nelas por meio deste presente, que é um kit de beleza”, continua.

A campanha foi lançada em uma plataforma online no dia 30 de outubro e tinha um mês de prazo. A arrecadação para 200 cestas básicas, ao valor de R$ 70 cada, e de 200 kits de beleza, ao custo de R$ 30 cada, ganhou repercussão nas redes sociais e a meta de R$ 20 mil foi alcançada e ultrapassada. A confraternização com a entrega das cestas aconteceu na tarde de sexta-feira (21) no Parque da Luz.

Primeiro passo: resgate da autoestima

O coletivo Mulheres da Luz foi fundado há cerca de 10 anos e, na linha de frente, conta com a militância de duas senhoras – a freira Regina Célia Coradin e a faxineira Cleone Santos. O primeiro projeto da dupla estava no resgate da autoestima das mulheres por meio da alfabetização.

Na juventude, irmã Regina foi professora e sua formação abrange estudos de psicologia, sociologia e teologia. Cleone é de Diadema, estudou até a 7ª série, mas sempre leu muito, sempre foi militante e engajada em causas políticas e sociais, além de ter tido a experiência de viver da prostituição.

“Cleone e eu nos conhecemos porque fazíamos trabalhos voltados para este público por meio de grupos diferentes. Ela é inteligentíssima, conhece meio mundo e é uma líder nata. Para que as mulheres reconhecessem seu valor pessoal e suas potencialidades, pensei em iniciar um trabalho de alfabetização. Cleone lembrou de um senhor que trabalhava com uma espécie de biblioteca itinerante, uma ‘bicicloteca’. Cleone improvisa e torna concreto”, afirma irmã Regina.