Amanda Menger
Tubarão

A previsão do tempo tornou-se uma verdadeira ‘atração’ nos meios de comunicação. E não é para menos. A região sul tem se mostrado suscetível a diversos fenômenos climáticos que causam impacto como enchentes, furacões, ciclones, tornados. A maioria destes fenômenos climáticos pode ser prevista, porém, o monitoramento deles poderia ser melhor.

“A região sul possui 13 estações, três delas são meteorológicas e nos trazem dados praticamente em tempo real. A cada uma hora, temos as informações atualizadas. As demais são apenas hidrometeorológicas, medem apenas as chuvas e algumas delas medem chuva e temperatura. Mas nem todas são informatizadas. Algumas são convencionais, precisam de um observador que monitora os dados e os encaminha para a Epagri”, explica o responsável pela rede de estações meteorológicas do Ciram/Epagri, Renato

Victório. As estações meteorológicas ficam em Laguna, Urussanga e Anitápolis.
Para o engenheiro químico e pesquisador Rafael Marques, é preciso ampliar esta rede. “Temos um projeto que já foi apresentado ao Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Tubarão e enviado à secretaria estadual de desenvolvimento sustentável para instalar 20 estações nos municípios da região. Três delas seriam meteorológicas, em Tubarão, Imbituba e Gravatal. As demais hidrometeorológicas”, revela Rafael.
A intenção é formar uma rede de monitoramento. “Assim, poderíamos dar os alertas com maior precisão, sabendo de fato como está a situação nos municípios que compõem a bacia do rio Tubarão”, afirma Rafael. O investimento previsto para este projeto entre implantação e manutenção por um ano é de R$ 430 mil.

Os dados obtidos com as estações ajudariam também na formação de um histórico sobre os períodos de maior precipitação. Os dados existentes são da Agência Nacional das Águas (ANA). “Os registros começaram em 1940, porém, são incompletos, devido às próprias mudanças na forma e na responsabilidade de captar as informações. Precisamos ter um sistema que nos possibilite conhecer o regime de águas”, argumenta Rafael.

Catarina serviu com um ‘empurrão’

A ocorrência de um furacão no Atlântico Sul era algo impensado até março de 2004. Porém, após o Catarina, muitos conceitos precisaram ser modificados na meteorologia. Incluindo a própria maneira de fazer a previsão do tempo.
Desde 2004, os investimentos no setor aumentaram. “O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) instalou 23 estações meteorológicas no estado. Cada uma custa R$ 100 mil. O bom é que podemos utilizar os dados deles e eles os captados pelas estações do Ciram/Epagri”, revela o responsável pela rede de estações meteorológicas do Ciram/Epagri, Renato Victório.

Mesmo com os investimentos do Inmet, nem todos os municípios de Santa Catarina contam com monitoramento. “Temos um projeto ambicioso, queremos instalar mais 30 estações. Os documentos já foram encaminhados para a diretoria da Epagri que tem parceria com a secretaria estadual de desenvolvimento sustentável (SDS) e aguardamos a resposta”, adianta Renato.

Outros instrumentos ainda são necessários. Entre eles, bóias meteorológicas. “Temos um projeto que será feito em parceria com a Marinha. Seriam inicialmente duas bóias, uma no litoral norte e outra no sul, próximo ao Farol de Santa Marta”, explica Renato. Uma outra ‘ferramenta’ é o radar. O estado possui um no Morro da Igreja, em Urubici, mas hoje é utilizado apenas para controlar o espaço aéreo. “Estamos tentando um convênio para conseguir as imagens do radar que é meteorológico para usá-las na previsão do tempo”, esclarece Renato.

Geografia de Tubarão é problemática

Localizada em um vale, a geografia de Tubarão é propensa a enchentes. A maior parte da área urbana está situada em uma ‘baixada’, além disso, o lençol freático é alto, ou seja, não precisa muita chuva para que ocorram alagamentos. Outro ponto crucial são os morros. As áreas de encosta também já são habitadas e a maioria não possui infra-estrutura.

Uma pesquisa realizada pelo professor Rogério Bardini, do curso de engenharia da Unisul, mostra com dados estatísticos quais áreas são mais propensas a alagamentos (mapa acima). “Pelos dados, uma enchente de proporção semelhante da de 1974 ocorreria em 100 anos e outras menores ocorreriam também em períodos menores de tempo. Mas isso é probabilidade, depende muito das condições climáticas. Em Blumenau, ocorreu enchente em 1983, fizeram uma previsão que também dava 100 anos, mas em 1984 ocorreu outra”, afirma Rogério.

Para o professor, é necessário investir em ações estruturais e não-estruturais. “As estruturais seriam obras de engenharia como barragens, diques, drenagens. As não-estruturais seriam as de conscientização das pessoas para não jogarem lixo em bueiros, plantação de árvores, construção de áreas de contenção de água”, sugere.