Bolívia

O governo da Bolívia afirmou ontem que não cumprirá plenamente os contratos de venda de gás ao Brasil e à Argentina este ano e convocará os países a uma reunião para analisar a repartição do combustível quando houver elevada demanda. “No fim de ano, produziremos em média 42 milhões de metros cúbicos diários, o que não nos permitirá cumprir os contratos com estes países”, ressaltou o ministro de hidrocarbonetos, Carlos Villegas, junto ao presidente boliviano, Evo Morales.

A produção atual ronda os 40 milhões de metros cúbicos diários de gás natural, frente a uma demanda interna e externa de 46 milhões. Villegas explicou que, na recente visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a La Paz, foi decidido que este ano não serão enviados os pequenos volumes de gás contratados em Cuiabá nem à empresa Comgás, de São Paulo.

O contrato que será cumprido é o da Petrobras, no qual está previsto o envio de 31 milhões de metros cúbicos diários de gás a São Paulo e pelo qual a companhia paga à Bolívia, atualmente, quase US$ 4,9 por milhão de BTUs (Unidade Térmica Britânica).

Outra prioridade da Bolívia será atender o mercado interno, que demandará entre 5,5 e 6 milhões de metros cúbicos diários. O resto será enviado à Argentina. A Bolívia descumpriu várias vezes em 2007 os contratos com Brasil e Argentina devido à paralisia de investimentos, que as empresas atribuíram à mudança de regras originada pela nacionalização do setor, em 2006.