Wagner da Silva
Braço do Norte

Desde a manhã de ontem, a Sadia e a Perdigão estão unidas em uma só companhia, batizada de Brasil Foods. A nova gigante do setor de alimentos resultará em uma empresa de R$ 22 bilhões de faturamento anual. A sede será em Itajaí, no norte catarinense. Pela proposta, a Perdigão terá 68% das ações, enquanto a Sadia acumulará os outros 32%.

No Vale do Braço do Norte, a notícia não é recebida com segurança. Apreensivo quanto à negociação, o presidente regional da Associação de Criadores Catarinense de Suínos (ACCS), Adir Engel, afirma que uma cadeia produtiva terá grandes prejuízos, mas todo o segmento poderá sofrer. “Os integrados, com certeza, perderão muito mais, já que possuirão uma opção a menos. Mas isso poderá afetar todos os produtores”, lamenta o presidente regional.
Ele explica que a força deste grupo será maior e, como diminui uma opção de venda, os preços poderão ser baseados neles. “Com certeza, perde poder de barganha. O valor do produto poderá ser ditado por esta nova gigante, o que prejudica os pequenos frigoríficos”, avalia.

Apesar de tomar como base o cenário regional, Engel admite que a negociação poderá ser benéfica ao país. “Ganhamos (refere-se ao estado) por termos qualidade e uma posição sanitária invejável. Além disso, trata-se de empresas catarinenses, com respeito no mercado brasileiro e internacional, que agora passam a ter ainda mais força no cenário de exportação”, avalia.

O produtor independente Vilibaldo Michels, de Braço do Norte, concorda com o presidente, mas acredita que o mercado estará ruim para o setor por conta da fusão. “Não há mais pontos positivos ou negativos ao pensarmos em grande escala. Em pequena, como é nosso caso, mesmo não visualizando grandes mudanças, de uma forma ou outra seremos afetados. O mercado perde uma opção de barganha e este é o maior prejuízo a todos”, analisa.

Nova empresa
A Brasil Foods será, segundo especialistas, a maior empresa de alimentos industrializados do Brasil, a 10ª maior das Américas, e número 1 do mundo no processamento de carne de frango. As marcas Sadia e Perdigão serão mantidas. Juntas, as empresas somam 55% da fatia do mercado brasileiro.