Em meio a um clima de comoção que tomou os quarteirões ao redor da Escola Estadual Professor Raul Brasil, pais e alunos se emocionam ao relembrar como teria ocorrido o massacre dentro da instituição. Encostada em um dos muros localizados na esquina do colégio, uma mulher chora copiosamente. A funcionária da instituição, que não foi identificada, teria ficado frente a frente com um dos atiradores.

Abalada, ela leva as mãos na boca para tentar conter a tristeza. Minutos depois se identifica com uma das funcionárias da escola em que dois atiradores mataram oito pessoas na manhã da quarta-feira, em Suzano. Em voz baixa, conta a um amigo que ficou diante do atirador mais novo, G. T. M., de 17 anos, e que ele a poupou por ter “um carinho especial” por ela.

Sem conter as lágrimas, a funcionária da sala de leitura da escola, que não quis se identificar, disse que o jovem era ex-aluno da escola e tinha diversos problemas psicológicos, sem entrar em detalhes. Vizinhos da escola também chegaram a comentar que o adolescente vivia com um avô. Uma das alunas, que se escondeu na cantina durante os tiros, afirmou que os atiradores teriam disparado para se vingar de práticas de bullying contra ele.

Velório das vítimas

Centenas de pessoas compareceram, na manhã desta quinta-feira, em Suzano, ao velório coletivo de seis dos dez mortos no massacre da escola estadual Professor Raul Brasil. As vítimas do crime cometido por dois jovens – G. T. M. e Luiz Henrique de Castro, de 25 anos – eram cinco alunos, duas funcionárias e um comerciante, além dos próprios autores do massacre.

Na Arena Suzano, ginásio localizado próximo a escola, o clima foi de tristeza e desolação entre familiares e amigos das vítimas. Os corpos de Eliane e Marilena, que trabalhavam na escola, e de outros quatro alunos foram velados lado a lado, em fileiras, em espaços divididos por cadeiras para os familiares.

Com a cidade em luto oficial de três dias, muitos alunos do colégio e outras instituições conseguiram ir ao velório.“Foi muito triste. Horrível. A apreensão até receber a notícia é muito dolorosa”, disse Isabela, 16, amiga de Caio, um dos alunos mortos no massacre.