Wagner da Silva
Anitápolis

Representantes de entidades de oito municípios da região integraram a caravana contra o projeto da Indústria de Fosfatados Catarinense (IFC). O movimento pacífico, organizado pela Comissão Pastoral da Terra da diocese de Tubarão e a ONG Montanha Viva, teve como objetivo alertar a população quanto aos perigos da instalação da mineradora em Anitápolis.

O grupo partiu de Laguna e passou também por Tubarão, Gravatal, Braço do Norte, Rio Fortuna e Santa Rosa de Lima. Em todas estas cidades foi feito um ato público para chamar a atenção da população. O destino final foi a comunidade de São Paulo dos Pinheiros, no interior da cidade serrana, local onde poderá ser implantada a IFC.
“É possível ver a barragem do empreendimento de nossas casas. É assustador. Estamos nesta luta sozinhos. É preciso que mais cidade levantem esta bandeira conosco”, pediu Rosane Bach, moradora de São Paulo dos Pinheiros.

Ainda que seja um trabalho árduo, o padre Aloizio Heidemann enfatiza que as pessoas estão mais conscientes sobre os perigos da empreendimento sobre o meio ambiente e à saúde pública. “Nada justifica o lucro deste empreendimento se isso custar nossas vidas. A ambição não pode estar acima da vida”, advertiu.

Membros da CooperLagunar e da União dos Pescadores do Litoral de Santa Catarina também acompanharam a manifestação e alertaram para os riscos que a exploração de fosfato pode trazer para a pesca, uma das atividades mais antigas da região do Complexo Lagunar.

| Na agenda
A próxima ação do grupo está marcada para 21 de setembro, Dia da Árvore, em Santa Rosa de Lima.

Na justiça
Uma ação na proposta junto a justiça federal no dia 5 de junho do ano passado, movida pela Ong Montanha Viva, culminou na suspensão dos trabalhos para a instalação da Indústria de Fosfatados Catarinense (IFC) na comunidade de São Paulo dos Pinheiros, em Anitápolis.

A liminar foi concedida pela juíza da vara ambiental da justiça federal, Marjorie Cristina Freiberger Ribeiro da Silva e tornou sem efeito a Licença Ambiental Prévia (LAP), emitida pela Fatma à IFC.

Desde setembro do ano passado, a IFC, o governo do estado, a prefeitura de Anitápolis e a Fatma travam uma batalha na justiça federal e no Tribunal Regional Federal, em Porto Alegre, para derrubar esta liminar.

Porém, os 15 recursos interpostas pelo grupo até agora foram negados. Hoje, as prefeituras de Rancho Queimado, Rio Fortuna, Braço do Norte, Laguna e São Ludgero, além da Pastoral da Terra, subescrevem a ação movida pela ONG Montanha Viva. Na última semana, a Defensoria Pública da União ajuizou uma nova ação civil pública contra a IFC, Ibama, Fatma, União, governo do estado e prefeitura de Anitápolis.

O projeto
A Indústria de Fosfatados Catarinense (IFC) pleiteia a exploração de uma mina de fosfato, durante 33 anos, em uma área de 360 hectares em meio a um bioma da Mata Atlântica, às margens do Rio dos Pinheiros, em Anitápolis. O manancial é parte da bacia hidrográfica do Rio Braço do Norte e, consequentemente, impacta sobre a bacia hidrográfica do Rio Tubarão e do complexo lagunar. O projeto Anitápolis é levado a frente pelas multinacionais Vale e Yara.