Braço do Norte

Será lançado nesta quinta-feira, às 19h, na Escola Especial João Estanislau Ângelo – Apae de Braço do Norte, o Fórum Parlamentar de Defesa e Proteção Ambiental juntos por Anitápolis. Há mais de 12 anos, se discute no município da Grande Florianópolis a instalação de uma mineradora para a produção de fertilizantes. Porém, moradores de diversos municípios da região da Amurel, de Anitápolis e gestores, se posicionam contrários a iniciativa.

Para a implantação do empreendimento, que poderá ser explorado por 30 anos, será necessário desmatar cerca de 300 hectares de Mata Atlântica onde serão construídas duas barragens no Rio Pinheiros para a bacia de rejeitos, com cerca de 90 metros de altura cada. Deve ser erguida uma linha de transmissão de energia elétrica com 46 quilômetros de extensão, o qual o trajeto interferirá em 100 hectares de mata nativa e área agrícola; será necessária uma grande demanda de recursos hídricos (consumo previsto de 885,6m3/h), o que afetará a disponibilidade de água na região; sem mencionar que o tráfego de substâncias perigosas, como o enxofre, será diário entre o Porto de Imbituba e Anitápolis.

Para a implantação da Indústria de Fosfatados Catarinense (IFC), a mata nativa daria lugar a uma mina a céu aberto, muitas espécies seriam expulsas de seu habitat e o empreendimento seria edificado na área da bacia hidrográfica do rio dos Pinheiros. O rio faz parte da bacia hidrográfica do rio Braço do Norte, formada por 19 rios nas cidades de Anitápolis, Santa Rosa de Lima, Rio Fortuna, Grão Pará, Braço do Norte e São Ludgero.

Conforme a advogada e moradora de Rio Fortuna, Marta Neckel, é necessário que a sociedade civil possa se mobilizar contra a instalação da mineradora. “Não podemos deixar que seja implantada a mineradora nessa região. Vamos busca apoio dos moradores de vários municípios. Estamos nas tratativas com representantes da CDL e com os vereadores, mas é preciso que as prefeituras ingressem com ações para a não instalação”, enfatiza.

De acordo com moradores a Vale tem o intuito de construir duas barragens acima do rio Pinheiros. Cada uma terá 85 metros de altura, para conter rejeitos do ácido. Segundo o advogado da ONG Montanha Viva, Eduardo Bastos, contrário a instalação da mineradora, a reserva de fosfato de Anitápolis desperta interesse de empresas desde 1976, porém, para que a exploração ocorra, será necessária a construção de uma barragem no Rio Pinheiros, gerando uma série de consequências, entre elas supressão de 1,8 hectares de mata, o risco permanente de rompimento de uma barragem, além de comprometer os 21 municípios da bacia hidrográfica de Tubarão.