Filha de pedreiro, a estudante de medicina da USP foi selecionada para um intercâmbio de pesquisa científica na área de nanotecnologia em Harvard, nos Estados Unidos.

Mas para conseguir chegar até lá, a jovem de origem humilde realiza campanha para conseguir dinheiro para custear a viagem. Ela criou uma vaquinha eletrônica no Catarse para arrecadar 28 mil reais.

Em pouco mais de 40 dias, já havia conseguido mais de R$ 22 mil reais. “O valor arrecadado é para gastos com moradia, transporte e alimentação, já que nada disso é custeado pela universidade”.

Aos 23 anos, sua trajetória é marcada pela batalha diária. “Nasci em 1996 em uma família que muito me incentivou a estudar. Meu maiores exemplos foram o meu avô, trabalhador da roça, que dizia que: ‘toda chance de uma vidinha melhor tá em quem estuda’ e o meu pai, que começou a trabalhar aos 12 anos de idade e sempre se dividiu entre dois empregos, como bombeiro e pedreiro para que eu tivesse oportunidades”, diz ela.

A moça que cresceu na periferia da zona leste de São Paulo já se destacava desde o cedo. “Não lembro ao certo tudo o que me levou à medicina, mas sei que desde o princípio foi uma guerra contra as estatísticas. Minha esperança surgiu quando soube do ensino superior público e a oportunidade de lutar por uma vaga começou com uma bolsa em cursinho pré-vestibular em SP, estudando cerca de 16h por dia.

Aprovada em cinco universidades

Resultado? Foi aprovada em medicina na USP, Unicamp, Unesp, Unifesp, UFMG e em uma faculdade particular com bolsa integral. Dentre as quais escolheu a USP.

Segundo ela, durante o intercâmbio vai atuar no Projeto USP e as profissões como correspondente internacional. “Me dispondo a incentivar e auxiliar estudantes de todo o Brasil, contando sobre a minha trajetória e apoiando o acesso à educação”.

Nanotecnologia

“Em Boston vou explorar a nanotecnologia, uma ciência dedicada ao estudo da manipulação da matéria em escala atômica. Trata-se de uma área muito promissora para novas descobertas frente ao tratamento de doenças e para gerir os riscos potenciais advindos da exposição às nanopartículas presentes em nosso dia-a-dia, desde a alimentação até o ar que respiramos”, explica.

“Desde que soube da aprovação vendo doces na faculdade e no meu bairro. Consegui um estágio numa revista científica e trabalhava em cursinho desde o início da faculdade. Com isso devo alcançar $ 4,000. Somando o patrocínio do Banco Santander de $6,000 chego no máximo a $ 10,000 até o fim de 2018”.

“A viagem está marcada para o dia 21 de janeiro de 2019.