O amor de mãe e filho definitivamente vai além dos laços de sangue. É a conclusão que você chega conhecendo a história da Michelle e da Eliana.

Eliana vivia em um abrigo em Salvador e teria que deixar o local quando completasse 18 anos, mas antes disso ela ganhou um lar e uma mãe. “Nem eu esperava mais por isso”, confessou a garota.

Morando em Nova York, Michelle precisou criar uma estrutura em Salvador para cuidar da filha. “Mudei minha vida toda, estabeleci uma casa em Salvador, abri umas empresas para que pudesse ter renda e a adotei”, relatou Michelle.

Por causa de todo esse esforço da mãe para tê-la como filha, Eliana constantemente faz declarações lindas que Michelle dividiu com a gente e que encheram os nossos corações de amor. “Eu te amo tanto, mais tanto que eu morreria por você se preciso for. Eu te amo como se eu tivesse nascido de você. Te amo mais que a mim mesma”, relatou para a mãe.

Michelle decidiu ajudar abrigo e a lei do retorno lhe deu uma filha amorosa

Essa relação começou quando Michele, aos 27 anos de idade, morando nos EUA, decidiu que queria ajudar em um projeto social no Brasil e passou a colaborar com um abrigo de crianças e adolescentes órfãos na Bahia.

Ela passou a conviver com Eliana, que tinha 12 anos na época. Depois, a garota foi crescendo e se desesperando. Isso porque ela estava prestes a chegar à idade limite para ficar no abrigo e teria que deixar o lar, mesmo sem ter uma família.

Foi aí que Michele não viu barreiras para transformar a vida da menina. Nem a distância, nem a idade ou qualquer outro tipo de condicionante iria interromper aquela relação maternal que nascia espontaneamente.

“Ela me pediu que por favor a ajudasse, pois não teria pra onde ir. Neste dia, eu não conversei muito, disse a ela: ‘confia em mim porque eu não vou te deixar sozinha’. Ela já sonhava em se tornar minha filha e eu não causaria mais uma dor de perda ou de rejeição na vida dela”, relatou Michele.

“Ela disse: ‘calma, eu vou resolver’, e resolveu, ela me adotou”, relembra com emoção Eliana.

Dificuldades fortaleceram laço de mãe e filha

Contando assim a história é muito linda, mas mãe e filha fazem questão de enaltecer que nem tudo são flores porque elas passaram por momentos muito difíceis. No entanto, há algo de muito positivo nisso tudo, é que elas ficaram ainda mais unidas!

“Não foi fácil as pessoas aceitarem aquele modelo de adoção e principalmente após o processo aceito, a adaptação foi um desafio à parte. Tudo era muito novo pra nós duas, eu tinha me tornado mãe de uma adolescente da noite pro dia e o abrigo não nos permitiu ter um convívio familiar antes da adoção finalizada. Mas isso fez com que eu apressasse o processo da adoção”, disse Michelle.

“No começo não foi fácil, tem toda uma adaptação, eu fiquei assustada, mas agora eu tenho uma MÃE, que muita gente queria ter e nada nem ninguém vai nos separar”, disse a filha.

As duas relataram ter sofrido preconceito e a mãe perdeu o namorado, que não se adaptou às mudanças. “A gente sofreu, chorou mas nunca deixamos de amar e acreditar uma na outra. A gente foi se conhecendo com o convívio, fomos aos poucos aprendendo a ser mãe e filha e de uma forma muito mágica esse sentimento se instalou em nós duas”, disse.

Adoção tardia ainda é desafio no Brasil

Que bom seria se todos os adolescentes tivessem a oportunidade que a Eliana teve. Mas no Brasil, segundo dados do Conselho Nacional de Justiça, quase 75% das crianças disponíveis para adoção no país têm mais de 5 anos e o pior é que 77% das famílias adotantes querem apenas crianças abaixo dos 5 anos.

“O que eu posso dizer é que adotem crianças grandes. A sociedade tem medo por crescer revoltada, por dar trabalho, mas fazendo isso vocês estão salvando a vida, dando um carinho que a gente não teve a vida toda”, disse Eliana.

Michelle é mãe de mais 2.400 crianças. Entenda!

Michelle não faz bem apenas à Eliana. Ela coordena um projeto social em Salvador que leva capacitação profissional para crianças e adolescentes órfãos. Por ano, o One Love For Kids atende 2.400 crianças. A instituição também faz doações em comunidades carentes.

“Desde criança eu me sensibilizo e estou envolvida com causas sociais. Mas acabei me envolvendo com a causa de órfãos porque eu saí de casa muito nova e consegui trabalhar, estudar e alcançar meus sonhos sem a ajuda de meus pais, então eu sempre busquei levar essa consciência para jovens órfãos, pra mostrar que eles são capazes de construir seus sonhos mesmo sem ter pai e mãe do lado”, explicou.

Coração de mãe sempre cabe mais um

Michele agora planeja ter um filho e já conversou bastante com Eliana sobre isso. “Fico com o coração apertado quando ela diz que vai ter um filho, mas sei que ele nunca ocupará o meu lugar”, avaliou.

“Muita coisa mudou, mas não me impediu de continuar tendo a vida que eu sempre gostei. O fato de minha filha ser adolescente, ajuda muito a não ter que mudar minha rotina para um cuidado especial. A adoção é um ato de muito amor, mas tem que ser feito de forma responsável porque a sociedade ainda é muito cruel e pode colocar uma carga difícil de carregar. É uma troca única entre seres humanos que desenvolvem laços de um amor que não se explica. É um ato de entrega real e muito recompensador!”, disse Michelle.

“É surreal a mãe que Deus me deu. Ser filha dela é uma imensa alegria, não tenho nem como descrever, as palavras não expressam o que eu sinto. É como se eu ganhasse na loteria e ficasse rica”, finalizou Eliana.