Zahyra Mattar
Laguna

Desde o primeiro relatório semanal de balneabilidade da Fatma, na última semana de novembro do ano passado, a Prainha do Farol de Santa Marta, em Laguna, figura entre os balneários com água imprópria para o banho. É a única da Amurel que ainda não conseguiu reverter a situação.

O maior vilão é o esgoto a céu aberto que escorre bem no meio da pequena faixa de areia. O problema não é de hoje. Desde a popularização da antiga vila de pescadores e, mais tarde, com a ocupação desordenada dos morros, a mesma água preta e fétida está inclusa na paisagem. Um contraste feio para um lugar considerado como um dos mais belos do sul catarinense pelos veranistas e turistas que visitam o município.

Também não é de hoje que intervenções são feitas para tentar minimizar a situação. A solução é algo difícil e longe de ocorrer. Esbarra no problema da ocupação desordenada. Pelo menos 90% das casas do Farol não deveriam existir. O solo, bastante acidentado, também não é propício à instalação de fossas. “Os moradores estão cientes do problema, assim como nós entendemos as dificuldades. Muitos imóveis têm fossas e sumidouros, mas a chuva acaba levando resíduos para a rede pluvial e ocorre a contaminação”, lamenta o técnico em saúde da Vigilância Sanitária Leandro Souza.

Nesta sexta-feira, uma força-tarefa do órgão municipal foi realizada com o intuito de reforçar a importância da instalação de fossas e sumidouros. Seis imóveis foram autuados por despejarem o esgoto doméstico diretamente na rede pluvial. O trabalho foi feito em conjunto com a Fundação Lagunense do Meio Ambiente (Flama) e será continuado nesta segunda-feira, quando outras casas e estabelecimentos comerciais poderão ser autuados.

Um dia antes, quinta-feira, os fiscais estiveram no local e utilizaram um líquido azul, pelo qual foi lançado nos banheiros e pias para observar o trajeto do esgoto. Para cada proprietário, foi disponibilizado um prazo de 15 dias a fim de regularizar a situação. “Se a autuação não for cumprida, poderemos lacrar as ligações de esgoto. São casos como estes que justificam a poluição na área central do balneário”, lamenta Leandro.