Uma notificação da Fundação de Meio Ambiente de Criciúma (Famcri), que impede uma família de recicladores de lixo de realizar o trabalho, causou indignação de conhecidos e até de pessoas que não conhecem a família. Morador do bairro Linha Batista, Jari Lima, de 62 anos, a esposa, a filha e a nora trabalham com reciclagem há 12 anos. Esta é a única fonte de renda deles. Há uma semana, eles estão impedidos de trabalhar.

A família estava terminando de separar os lixos quando a fiscalização chegou com o documento. “Faz um mês que a polícia veio aqui, que os vizinhos denunciaram, mas continuamos o trabalho. Na semana passada, a Famcri veio e nos entregou a notificação, explicaram que se continuássemos o trabalho poderíamos receber uma multa”, explica Ana Paula Lima, filha de Jari.

O catador tem um problema na perna e seis parafusos, por isso tem dificuldade com o trabalho. “Às vezes o pai cai, ele não sente a perna, é muito triste ver ele assim. Esse trabalho ainda é o que ele consegue realizar”, lamenta Ana Paula.

A nora de Jari ainda lembrou que o marido é o único que está trabalhando fora da reciclagem. “Ele vai ter salário, vai ter dinheiro, mas não vai dar para pagar tudo. Eu e a Ana Paula já começamos a distribuir currículos por aí, ficamos com medo de não podermos voltar a trabalhar com a reciclagem, e não dá para ficar parada, mas está ruim de trabalho”, conta Joyce Lima.