Evandro agora quer voltar a trabalhar
Evandro agora quer voltar a trabalhar

 

Karen Novochadlo
Laguna
 
Agora, o aposentado Evandro Luiz de Melo, de Laguna, tem vários motivos para sorrir. Depois de um pouco mais de dois anos de hemodiálise, ele conseguiu realizar o tão sonhado transplante de rim, no início desta semana. E faz planos para o futuro: assim que se recuperar completamente, pretende voltar a trabalhar. 
 
Na terça-feira, por volta das 12 horas, Evandro recebeu uma importante ligação do Hospital de Caridade, em Florianópolis. “Me perguntaram se eu estava bem de saúde. Respondi que sim. Me pediram para ir a Florianópolis para fazer o transplante”, conta, animado. No mesmo dia, por volta das 18 horas, o aposentado entrou na mesa de cirurgia. 
 
Evandro ainda não sabe quando receberá alta. E hoje já poderá receber visitas de familiares. Pelos próximos seis meses, também deverá ir a Florianópolis semanalmente para fazer exames. 
“Gostaria muito de agradecer a família do doador. Infelizmente, não tenho os dados de quem fez a doação”, afirma Evandro, que entrou na fila de transplantes em agosto. 
 
O Notisul acompanha o caso desde o início do ano, quando o aposentado, que fazia hemodiálise três vezes por semana em Tubarão, ameaçou desistir do tratamento. O motivo era que não conseguia marcar o único exame que faltava para a realização da cirurgia.
 
Vários equívocos fizeram com que o procedimento demorasse para ser marcado. Um deles é que a secretaria de saúde da prefeitura de Laguna não havia sido informada de que ele precisava de um transplante. Em seguida, quando o exame foi marcado, Evandro não foi avisado. Depois, conseguiu enfim realizar o exame – duas vezes. 
 
Falta de informação
Uma das principais queixas do aposentado Evandro Luiz de Melo, de Laguna, é a desinformação. Ele reclama de não ter sido informado de como funcionava o sistema de transplante no estado, a fila para transplantes de órgãos, questões legais sobre os doadores. Infelizmente, o caso de Evandro não é o único em Santa Catarina
 
 
Ex-mulher doadora
Para a realização de um transplante de rim, o aposentado Evandro Luiz de Melo, de Laguna, tinha um doador vivo: sua ex-mulher. Contudo, uma série de burocracias impediu que a cirurgia fosse logo agendada. A primeira era a dificuldade de marcar os exames pelo SUS. A segunda está relacionada à falta de parentesco entre o doador e o paciente.  
Para conseguir o transplante neste caso, é preciso acionar o Ministério público, a central de transplante e uma comissão hospitalar. Os três órgãos realizam uma investigação para avaliar a motivação. Porém, neste tempo, a doadora contraiu tuberculose, o que atrasaria a doação em pelo menos seis meses. Evandro também não estava na fila de transplantes. Não por falta de pedidos.
 
Como é feita a doação?
O caminho para captação de órgãos é longo, demora em média 24 horas. Para determinar a morte cerebral de um paciente, por uma questão de segurança, são realizados vários testes, que levam 12 horas. Assim que ocorre o falecimento, a equipe do hospital conversa com a família.
Em seguida, os resultados dos exames são enviados por fax e as amostras de sangue de ônibus para a central de transplantes em Florianópolis. Caso a pessoa esteja apta para ser um doador, uma equipe de médicos vem da capital para realizar a coleta.
Em Tubarão, por exemplo, no Hospital Nossa Senhora da Conceição, muitas vezes, as equipes chegam de helicóptero. Elas correm contra o relógio, afinal, alguns transplantes precisam ser realizados imediatamente.
 
Que tipos de doador existem?
Doador vivo – Qualquer pessoa saudável que concorde com a doação. Ela pode doar um dos rins, parte do fígado, parte da medula óssea e parte do pulmão. Pela lei, parentes até quarto grau e cônjuges podem ser doadores. Se não tiver parentesco, somente com autorização judicial.
Doador morto – São pacientes na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) com morte encefálica, geralmente vítimas de traumatismo craniano ou AVC (derrame cerebral). A retirada dos órgãos é realizada em centro cirúrgico, como qualquer outra cirurgia.
 
Como posso ser doador?
Hoje, para ser doador não é necessário deixar nenhum documento por escrito. Basta comunicar a família do desejo da doação, que só ocorre após autorização.
 
Quais órgãos e tecidos podem ser obtidos de um doador morto?
Coração, pulmão, fígado, pâncreas, intestino, rim, córnea, veia, ossos e tendão.
Fonte: SC Transplantes.