Liliane Dias
Braço do Norte

Ao contrário do que a maioria das pessoas pensa, o eucalipto não é um dos maiores consumidores de água e não empobrece o solo. A afirmação é do engenheiro florestal e de segurança do trabalho, especialista em administração rural, André Leandro Richter, que atua na região há cerca de dez anos. “O eucalipto torna a terra fértil ao longo do tempo e consome menos água do que o milho e a batata, por exemplo”.

Nos três primeiros anos, o eucalipto usa uma quantidade maior de água, mas normaliza. Porém, mesmo no início, consome quatro vezes menos água que o milho e seis vezes menos que a batata. Quanto à fertilidade da terra, a raiz estando no solo retira os nutrientes e traz para a folha, que cai no solo e serve de adubo. “É preciso comparar e pensar florestas como florestas, do mesmo modo que se planta fumo e não adubar e plantar milho e não utilizar uréia. Além disso, através da colheita florestal, preservam-se árvores nativas”, ressalta.

Atualmente, na área florestal existente no Vale do Braço do Norte há 70% de eucalipto e 30% de pinus. “Isso porque houve um incentivo no plantio de pinus pelas empresas de molduras”, ressalta. Mas o engenheiro afirma que a produção não é suficiente. “A demanda é forte no segmento madeireiro. Mesmo plantando nas áreas da região que ainda não foram utilizadas, faltará madeira”, ressalta.

Ele explica que somente as empresas de moldura, se consumissem tudo, não levaria um ano. Um exemplo são as de molduras. “As molduras daqui não compram aqui porque não há madeira”, afirma. A produção de eucalipto tem um ciclo que varia de sete a 20 anos. “Depende para que será utilizada a madeira”, acrescenta.