Tubarão

Normalmente, uma gestação dura cerca de 40 semanas, o que conhecemos popularmente como os nove meses de gravidez. No entanto, uma série de fatores de risco, ou a falta de um correto acompanhamento pré-natal, pode fazer com que o bebê venha ao mundo prematuramente, ou seja, antes da 37ª semana. Estar grávida de gêmeos é um dos complicadores, além de doenças maternas como hipertensão arterial, diabetes ou anomalias uterinas.

Mundialmente, nascem todos os anos, em média, 20 milhões de crianças prematuras ou com peso abaixo de 2,5kg, e a prematuridade é a principal causa de mortalidade infantil antes dos cinco anos de idade. No Brasil, estima-se que um a cada dez bebês nasçam antes do tempo. Os recém-nascidos prematuros precisam de cuidados especiais e acompanhamento intensivo por mais tempo.

Pensando nisso, o Hospital Nossa Senhora da Conceição (HNSC), em Tubarão, desenvolveu um estudo abordando o Método Canguru dentro do Centro Materno Infantil da instituição. A técnica, que é consagrada pelo Ministério da Saúde, busca melhorar a qualidade da atenção prestada à puérpera, ao recém-nascido de baixo peso e sua família, promovendo uma abordagem humanizada e segura. As enfermeiras Maria das Dores Barbosa, Cintia Rovaris e Helena de Aguiar, que integram o Laboratório de Pesquisa Multidiciplinar Hospitalar, estiveram à frente do estudo.

 
A pesquisa “Método Canguru na Pediatria”

As profissionais realizaram uma abordagem com 16 casais que tiveram partos prematuros e estavam com seus filhos internados na Pediatria do Hospital, explicando as técnicas e os benefícios do Método Canguru. Nele, a mulher e os familiares são incentivados a manter contato pele a pele com a criança por longos períodos na posição canguru, ou seja, utilizando um sling, tecido de algodão que fixa o bebê próximo à barriga e ao peito. Essa prática favorece o vínculo afetivo, a estabilidade térmica, o estímulo à amamentação e o desenvolvimento físico e emocional do recém-nascido. Além disso, reduz o estresse, a dor e o choro.

As autoras verificaram que, dos 16 recém-nascidos analisados, 15 obtiveram aumento de peso diretamente relacionado à técnica. Além disso, as mães e familiares relataram sensações positivas e descreveram sentir amor, afeto e segurança durante o uso do sling. “Estou muito feliz e percebi que os bebês também adoraram, eles ficaram bem tranquilos, aconchegados e seguros. Pude sentir os três ao mesmo tempo no meu colo, e isso foi uma emoção única. Nada mais tinha importância naquele momento, eles poderiam ficar ali o tempo que quisessem”, relata Janaina Backes Moraes, de Armazém, que deu à luz trigêmeos, duas meninas e um menino.

 

10 anos do Centro de Pesquisa Clínicas do HNSC

O Laboratório de Pesquisa Multidiciplinar Hospitalar do HNSC trabalha em parceria com o Centro de Pesquisa Clínicas (CPC), que hoje é referência em pesquisas de saúde em Santa Catarina. Ele integra a Rede Nacional de Pesquisas Clínicas, iniciativa do Ministério da Saúde e do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações que visa incrementar os estudos científicos voltados às necessidades do Sistema Único de Saúde (SUS). Criado em 2009, o CPC realiza ensaios clínicos e epidemiológicos sobre medicamentos, procedimentos e equipamentos nas diversas áreas da saúde.

Atualmente, cerca de 50 estudos são conduzidos todos os anos dentro do Hospital, incluindo pesquisas de colaboradores, de residência médica e trabalhos de conclusão de curso da graduação e pós-graduação das instituições de ensino conveniadas. O CPC atua em parceria com a Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul), e nesses 10 anos de existência já realizou estudos multicêntricos com os demais integrantes da Rede, alguns em nível internacional.

Segundo a coordenadora do Centro de Pesquisas Clínicas, Profa. Dra. Fabiana Schuelter Trevisol, por ser um Hospital de ensino, ter grande demanda de pacientes e aplicar técnicas inovadoras na assistência à saúde, o HNSC gera muitas possibilidades para a pesquisa. “Diversos estudos realizados aqui são apresentados em congressos da área da saúde com abrangência nacional e mundial, além da produção de artigos científicos em revistas de grande impacto”, explica a professora.