Tatiana Dornelles
Tubarão

Na edição da última segunda-feira, o operador de máquinas José Riva reclamou ao Notisul do mal atendimento de uma orientadora na Área Azul, próximo ao Hospital Nossa Senhora da Conceição (HNSC), em Tubarão.
De acordo com o motorista, após ter estacionado o veículo, que ficou com a traseira um pouco depois da linha da área destinada à carga e descarga, ele recebeu uma notificação e foi contestar. Foi quando, segundo ele, a orientadora o teria chamado de “palhaço” e “que estava ali para multar”.

Segundo a monitora do estacionamento rotativo, Marina de Souza Guimarães, ela foi ofendida pelo usuário, que a chamou de “negra macaca”, “negra do demônio” e outras palavras de baixo calão. Na terça-feira, ela foi à delegacia de polícia para registrar um boletim de ocorrência contra José por injúria (prática de racismo).
Segundo e-mail enviado pela Caiuá, empresa responsável pelo estacionamento rotativo da cidade, “depois de notificado, o motorista José Riva mostrou-se revoltado com a orientadora e, sob o olhar de diversas testemunhas, passou a ofender e ameaçar Marina”.

O boletim de ocorrência foi registrado na Delegacia de Polícia da Criança, do Adolescente e de Proteção à Mulher e ao Idoso, terça-feira, às 13h49min, sob o registro 00205-2009-00541, “por danos morais, diante de ameaças e ofensas à sua condição de negra”, relata o documento.

A gerente Mary Hitomi Sato orientou Marina a defender os seus direitos frente às ofensas do usuário. Segundo ela, casos assim são cada vez mais raros, pois os usuários entendem a sistemática da Área Azul e as orientadoras passam periodicamente por treinos. “Um dos pontos de maior preocupação da empresa é o relacionamento com o cliente. O papel das orientadoras é atender bem. Se houve irregularidade, haverá a notificação. O que não é aceitável é a falta de respeito, seja lá de quem for”, reforça.

O usuário
Procurado pelo Notisul nesta sexta-feira, o motorista José Riva, após saber do boletim registrado contra ele, diz estar tranquilo e com a consciência limpa, pois não falou nada do que a monitora o acusou. “Este é apenas um argumento que ele vão usar para um erro cometido por ela (orientadora). Em nenhum momento, falei algum palavrão para ela. Também não tenho nenhum tipo de racismo e estou tranquilo, porque não fiz nada disso. Ainda não recebi nada referente ao boletim de ocorrência”, conta José.