Cíntia Abreu
Tubarão

“Dai de graça o que de graça recebeste”. Esta primícia pode definir o trabalho de caridade que o Centro Espírita Deus, Amor e Caridade (Cedac) realiza há 40 anos em Tubarão. Hoje, a doutrina espírita é difundida com mais tranquilidade na cidade, porém, muitos foram os espinhos encontrados no caminho destas pessoas que acreditam em um mundo além do plano terrestre.

Quando se fala em espiritualidade, muitas pessoas confundem as crenças. A doutrina acredita na vida após a morte. “Após a abertura, o centro foi protegido por vigias durante quatro anos. As pessoas jogavam pedras nas janelas, não foi fácil”, lembra o presidente do Cedac, presidente do Conselho Regional Espírita número 15, Carlos Roberto Rebelo.
Rebelo salienta que atualmente ainda existem pré-conceitos em torno da doutrina. “Há pessoas que acreditam que encontrarão o medium com uma varinha expulsando os espíritos”, explica Rebelo.

No último dia 6, o Cedac completou 40 anos. Nestas décadas, muitas pessoas de outras religiões passaram pelo local. “Recebemos desde o humilde ao mais graduado. Todos vêm com o mesmo objetivo, querem um alento. E nós não pretendemos formar espíritas, somente ajudar o ser humano”, sublinha o presidente do Cedac.
O espírita realiza duas caridades, auxilia as pessoas a enfrentar os seus problemas neste plano e ajuda o desencarnado a entender a vida após a morte. “O desencarnado às vezes não aceita que está morto. Os grupos de trabalho e estudo trabalham nesta recuperação”, ressalta Rebelo.

Onde tudo começou
No ano de 1969, no terreno localizado na rua Galdino José de Bessa, no bairro Oficinas, mais exatamente embaixo de um pequeno pé de manga, Otacílio Souza, Manoel Cachoeira, João Medeiros, Sebastião Lemos e Dalmo Soares, com o auxílio de Iolita Cardozzo, trabalharam para a construção do Centro Espírita Deus, Amor e Caridade (Cedac). “A árvore cresceu junto com o centro. Está até hoje aqui”, ressalta o presidente do Cedac e presidente do Conselho Regional Espírita número 15, Carlos Roberto Rebelo.

O centro, como a mangueira, encontra-se firme. Atualmente, atende mais de 500 pessoas, com trabalhos doutrinários, mediúnicos, palestras e assistencialismo. “Baseado nos estudos do codificador do espiritismo Allan Kardec, trabalhamos o amor nas pessoas e no mundo espiritual”, afirma o presidente do centro.

Rebelo acrescenta ainda que é mais fácil auxiliar o desencarnado do que o encarnado. “Ele entende a imortalidade da alma. Já o encarnado, é mais teimoso. O processo de reencarnação é uma forma de acreditar no amor de Deus. É a segunda chance”, salienta Rebelo.